Acadêmicos de Niterói abre carnaval com homenagem a Lula e referência a Bolsonaro
A Acadêmicos de Niterói, escola de samba que inaugurou os desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, prestou uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí. O evento, que atraiu atenção nacional, foi marcado por uma apresentação que misturou celebração e crítica política, gerando reações intensas da oposição e do público em geral.
Detalhes da alegoria com menção a Bolsonaro
Entre as alegorias apresentadas pela escola, destacou-se uma chamada Pirâmide, que trouxe uma clara referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A figura central era um palhaço intitulado Bozo, vestido com um uniforme de presidiário e equipado com uma tornozeleira eletrônica, simbolizando uma crítica direta ao seu legado político e às controvérsias que marcaram seu governo. Essa representação visual foi interpretada como uma sátira mordaz, refletindo as tensões políticas atuais no Brasil.
Contexto político e reações
A homenagem a Lula ocorre em um momento de polarização acentuada no cenário político brasileiro, onde o carnaval tem se tornado um palco para expressões artísticas que comentam sobre a realidade nacional. A escolha da Acadêmicos de Niterói em incluir essa crítica a Bolsonaro em seu desfile reforça o papel das escolas de samba como agentes culturais que não apenas entretêm, mas também provocam reflexões sobre questões sociais e políticas. A oposição ao governo atual tem manifestado descontentamento com a abordagem, acusando-a de partidarismo e falta de neutralidade em um evento tradicionalmente festivo.
Especialistas em cultura e política destacam que o carnaval do Rio de Janeiro, com sua grandiosidade e alcance midiático, serve como um termômetro para as discussões públicas no país. A inclusão de elementos tão explícitos em uma alegoria do Grupo Especial evidencia como os temas nacionais permeiam até mesmo as celebrações populares, transformando-as em espaços de debate e contestação. A Acadêmicos de Niterói, ao abrir os desfiles, estabeleceu um tom provocativo que deve ecoar ao longo de toda a temporada carnavalesca, alimentando conversas sobre liberdade de expressão, arte engajada e os limites entre entretenimento e política.