Carnaval do Rio: Portela lidera com 22 títulos, mas Beija-Flor avança na Era Sambódromo
Desde 1932, as escolas de samba do Rio de Janeiro disputam o carnaval carioca, uma tradição que completa mais de nove décadas de história e emoção. Nesta Quarta-Feira de Cinzas, os foliões aguardam ansiosamente para conhecer a mais nova campeã do Grupo Especial, em um ritual que se repete ano após ano, marcando o encerramento dos festejos.
Recordes e domínios no carnaval carioca
Em 94 anos de desfiles, a Portela se consolida como a grande recordista, com impressionantes 22 títulos conquistados ao longo de sua trajetória. Logo atrás, a Estação Primeira de Mangueira aparece com 20 triunfos, formando com a Águia um duelo histórico no topo do ranking carnavalesco. No entanto, essa hegemonia vem sendo desafiada ano a ano pela Beija-Flor de Nilópolis, que chegou no ano passado à sua 15ª vitória, aproximando-se perigosamente das líderes.
Um detalhe crucial: dez desses 15 campeonatos da Beija-Flor foram conquistados na Marquês de Sapucaí, o que transforma Nilópolis na verdadeira soberana da Era Sambódromo – período que se estende desde 1984 até os dias atuais. Nessa fase moderna do carnaval, Mangueira aparece em segundo lugar com 8 vitórias, enquanto a Portela registra apenas 2 conquistas, demonstrando uma mudança significativa no equilíbrio de forças.
Jejuns históricos e polêmicas memoráveis
O Acadêmicos do Salgueiro vive atualmente o seu maior período de seca, sem vencer desde 2009, quando apresentou o enredo "Tambor". São impressionantes 16 anos sem levantar uma taça, um jejum que se tornou tema constante nas conversas sobre o carnaval carioca. Para dimensionar essa espera, vale lembrar que em 2009 a atriz Viviane Araújo realizava apenas seu segundo desfile à frente da bateria Furiosa.
Contudo, o recorde de maior seca pertence à Unidos da Tijuca. Campeã em 1936, a escola do Borel só voltou a vencer 74 anos depois, em 2010, sob a direção de Paulo Barros. Curiosamente, o Pavão não precisou esperar tanto para novas conquistas, levantando a taça também em 2012 e 2014, totalizando 4 títulos em sua história.
Polêmicas que marcaram a apuração
A Quarta-Feira de Cinzas de 2017 ficou marcada por uma das polêmicas mais memoráveis da história do carnaval. Inicialmente, a Portela comemorou uma vitória após mais de 30 anos de espera. Semanas depois, porém, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) descobriu um erro no lançamento das notas no envelope. No recálculo, a Mocidade Independente surgiu na frente, e o título seria de Padre Miguel.
As escolas, em uma decisão inédita, optaram por dividir o título em plenária – uma solução que deixou a Portela insatisfeica, mas que prevaleceu como voto vencido. Situações similares ocorreram em 1984, ano da estreia do Sambódromo, e em 1980, quando a Portela empatou no topo com Beija-Flor e Imperatriz. A última vez que a Águia venceu sozinha o carnaval do Rio foi em 1970, um marco temporal que muitos nem sequer testemunharam.
O supercampeonato de 1984 e as escolas sem títulos
O ano de 1984 trouxe uma inovação radical: quando a Marquês de Sapucaí ganhou seus contornos atuais, três títulos foram disputados, incluindo um supercampeonato inédito e nunca mais repetido. Até então, as escolas desfilavam na mesma noite, em uma maratona que terminava com dia claro. Naquele ano, decidiu-se dividir o desfile entre domingo e segunda-feira, com sete agremiações competindo por uma taça em cada noite.
As três mais bem colocadas de cada grupo, incluindo as "campeãs", avançavam para uma "final" no Sábado das Campeãs. Nessa etapa decisiva, os quesitos Alegorias e Adereços, Enredo e Fantasias não foram julgados – restando apenas os fundamentos de "chão", como Harmonia e Evolução. E a Mangueira sagrou-se vencedora, com a Portela no vice-campeonato.
Das doze escolas que compõem o Grupo Especial em 2026, duas jamais venceram a competição máxima: a Acadêmicos de Niterói, recém-promovida da Série Ouro, e a Paraíso do Tuiuti. Esta última chegou perto em 2018, conquistando o vice-campeonato a apenas 0,1 ponto atrás da campeã Beija-Flor – uma diferença mínima que ainda hoje é lembrada com certa frustração.
Os grandes mestres do carnaval
Joãosinho Trinta permanece como o carnavalesco recordista de campeonatos, com nove títulos conquistados – uma marca que não será superada este ano. Entre os grandes mestres ainda ativos, Renato Lage se destaca com quatro vitórias. Muitos nomes desse seleto grupo já faleceram, como Arlindo Rodrigues (8 títulos), Laíla (8) e Rosa Magalhães (7).
Colegas de Laíla na Comissão de Carnaval da Beija-Flor, Fran-Sérgio e Ubiratan Silva também acumulam oito vitórias cada, mas não figuram como carnavalescos em 2026 por nenhuma escola, representando uma geração que deixou sua marca indelével na história do carnaval carioca.



