Carnaval de São Paulo inicia com forte carga emocional e samba de qualidade
A primeira noite de desfiles do Carnaval de São Paulo transformou o Sambódromo do Anhembi em um palco de intensas emoções, muito samba e homenagens profundas à cultura brasileira. Sete escolas de samba cruzaram a passarela com enredos que mesclaram meses de pesquisa, dias de trabalho árduo e momentos de pura magia, criando uma experiência que ficará marcada na memória dos foliões.
Mocidade Unida da Mooca faz estreia emocionante no grupo de elite
A noite começou com a estreia da Mocidade Unida da Mooca no grupo de elite do Carnaval paulistano. A escola apresentou um enredo em homenagem ao Geledés - Instituto da Mulher Negra contra o Racismo, trazendo para a avenida vozes que representam a negritude brasileira. "Para que a gente pudesse trazer na avenida todas essas vozes, que representam a negritude do nosso país", explicou Thayssa Menezes, enredista da agremiação. Destaque para as homenagens às escritoras Helena Teodoro e Conceição Evaristo, esta última destacando: "Fazendo a nossa luta de resistência e tendo esse resultado".
Colorado do Brás celebra as bruxas e Dragões da Real homenageia indígenas
A Colorado do Brás soltou as bruxas na avenida, transitando do cinema de terror aos contos de fadas. Com a participação especial de Fabi Bang como Glinda do espetáculo Wicked, a escola mostrou uma visão positiva da bruxaria. "As pessoas acham que bruxaria é do mal, e não é, a bruxaria é uma filosofia de amor à natureza", ressaltou Tânia Gori, madrinha do samba-enredo.
Já a Dragões da Real trouxe a força da floresta amazônica, contando a história das Icamiabas, aldeia de mulheres indígenas às margens do Rio Amazonas. A última alegoria, com fogo e destruição, falou da luta pela preservação ambiental. "A sensação é maravilhosa, né? Porque a gente tá há tanto tempo se preparando para esse dia", comentou Ricardo Negreiros, coreógrafo da comissão de frente.
Acadêmicos do Tatuapé e Rosas de Ouro enfrentam contratempos
Com o enredo "Plantar Para colher e Alimentar", a Acadêmicos do Tatuapé levou para o sambódromo os campos agrícolas e a desigualdade do Brasil. "Vamos usar os recursos naturais e aproveitar essa dádiva maravilhosa que Deus nos deu que é a terra", afirmou Wagner Santos, carnavalesco da escola. Porém, um vazamento de óleo em um dos carros alegóricos sujou a pista e atrasou o desfile em quase uma hora.
A atual campeã Rosas de Ouro desfilou com meio ponto de penalidade por atraso na entrega de documentação. Mesmo assim, brilhou com tema astrológico. "Esse momento aqui, ó, é muito demorado. Lá no meio passa rápido, aí hora que eu termino, eu quero voltar", destacou Ana Beatriz Godoi, rainha da bateria.
Vai-Vai e Barroca Zona Sul completam noite memorável
A Vai-Vai levou para a passarela a magia do cinema brasileiro, homenageando os Estúdios Vera Cruz de São Bernardo do Campo e a tradição sindical da região. "Está todo mundo vestido de operário, vamos representar São Bernardo, onde estão as fábricas, aquelas coisas todas", contou Mestre Tadeu, da bateria.
Fechando a noite, a Barroca Zona Sul celebrou Oxum, orixá das águas doces que representa fertilidade e amor. "Oxum é a senhora do ouro, é senhora da fartura, é a senhora dos rios, né? Então, é um enredo que ele remete a gente pro amor", afirmou Sueli Silva, presidente da velha guarda.
Ao final, o cansaço misturou-se à emoção. "Samba é a minha vida! Eu amo isso aqui tudo. Quando acaba, eu fico triste", confessou Silvia Helena Francisco de Souza Silva, costureira que trabalhou nos preparativos. O tempo, que durante os desfiles parecia congelado, finalmente seguiu seu curso, deixando na memória coletiva uma noite inesquecível de Carnaval.
