Camarote de luxo no Carnaval de SP apresenta clima tranquilo e pouca paquera
Na madrugada de sábado (14) para domingo (15) de Carnaval, enquanto as escolas de samba cruzavam com vigor a pista do Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, o ambiente no camarote mais concorrido da cidade seguia um ritmo próprio. Longe da empolgação tradicional e das trocas de olhares características da folia, predominavam abraços entre conhecidos e beijos de quem já compartilhava histórias de outros carnavais.
Solteiros relatam ambiente 'fraco de pegação' no espaço premium
No camarote Bar Brahma, a tradicional pegação deu lugar a um carnaval mais sereno, frequentado por casais e grupos que preferiam curtir os shows, a vista privilegiada e a experiência completa que inclui comidas, bebidas, massagens e até cassino. Entre as solteiras ouvidas, a percepção foi quase unânime: o ambiente estava "fraco de pegação".
A policial civil Bruna Alizari resumiu o sentimento com uma pitada de ironia. "Mesmo se eu quisesse, estaria fraco. Tem muita gente namorando. Quem está namorando, está, quem não está, está ferrado", declarou, entre risos. Para ela, o contraste com a ideia tradicional do Carnaval, marcada por flertes e paqueras com pessoas recém-conhecidas, foi notável. "Aqui está diferente. Não fui a bloco ainda, mas dei uma olhadinha e não vi esse clima".
A coordenadora de franquias Nathália Faguntes concordou com a avaliação. "Aquele ditado de que as mulheres hétero estão 'passando fome' no Brasil é real", brincou. Segundo ela, o cenário não se altera significativamente fora do camarote. "Na rua está a mesma coisa".
Casais aproveitam a folia com tranquilidade e conforto
Enquanto solteiros enfrentavam a escassez de paquera, os casais pareciam perfeitamente à vontade no espaço mais disputado do Carnaval paulistano. Peter Felipe e Carolina Lucas, juntos e estreantes no camarote, expressaram surpresa positiva com o clima mais tranquilo. "Está incrível, maior do que a expectativa", afirmou Carolina. Sobre a atmosfera, Peter foi direto: "Está mais de boa. A gente vê mais casal, como a gente. Não está igual era antes [de começar a namorar] nos blocos de rua".
Os pediatras Ricardo e Carla Marcitelli, casados há 26 anos e veteranos de Carnaval, transformaram a folia em uma tradição familiar. "A gente faz tudo junto. O carnaval é uma festa popular, democrática, e a gente gosta muito", contou o casal, que hoje divide a experiência com os filhos e também reserva momentos apenas para os dois.
Estrutura de luxo e ingressos que chegam a R$ 3,5 mil
Com ingressos que começaram a ser vendidos a R$ 900 e atingiram o valor de R$ 3.500, o camarote mais concorrido de São Paulo oferece uma série de mimos que desviam a atenção dos foliões mais abastados das escolas de samba. Entre os agrados disponíveis no Bar Brahma neste ano estão:
- Dois palcos de shows além do principal
- Cassino com direito a show de pole dance
- Sala com sessões de massagens relaxantes
- Praça de alimentação com hambúrgueres, comida japonesa, espetinhos de churrasco e sorvetes
- Drinques em sistema "open bar"
A humorista Bruna Louise, que frequentemente aborda temas como solteirice e relacionamentos fracassados, revelou ter ido mais para curtir o evento do que para paquerar. É o terceiro ano dela no camarote. "Estou cansada, numa vibe tranquila. Os caras não estão chegando. Eu nem olhei", contou. "Vim para aproveitar o rolê".
O cenário descrito pelos frequentadores do Bar Brahma sugere uma transformação no perfil da folia em espaços premium, onde o conforto e a experiência completa parecem estar superando a busca por encontros casuais, característica tão associada ao Carnaval tradicional.



