O primeiro dia de julgamento do caso Henry Borel, ocorrido nesta segunda-feira, 25, no II Tribunal do Júri do Rio, foi marcado por manobras da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, que buscaram protelar a conclusão do processo. A expectativa era de que quatro testemunhas de acusação fossem ouvidas: os delegados Ana Carolina Lemos e Edson Henrique Damasceno, o médico legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e o perito do Ministério Público Luiz Carlos Leal Prestes. No entanto, após uma série de atrasos, a sessão foi suspensa por volta das 17h, com previsão de retorno na terça-feira às 9h. As mesmas testemunhas são aguardadas para o segundo dia.
Manobras da defesa
Na manhã desta segunda, Jairinho voltou atrás da decisão de desconstituir a defesa, após o Ministério Público solicitar sua transferência de Bangu 8 para Bangu 1, presídio de segurança máxima, caso a sessão fosse adiada. O principal advogado do acusado, Fabiano Lopes, havia sofrido um infarto no sábado. Durante a tarde, a defesa protocolou 23 requerimentos de nulidade, questionando provas, dois jurados sorteados e a ordem das oitivas, entre outros pontos. Todos foram indeferidos pela magistrada, que então encerrou a sessão sem que as testemunhas fossem ouvidas.
A juíza afirmou que parte das manifestações da defesa já havia sido apreciada em instâncias superiores e que alguns questionamentos tratavam de provas “impossíveis” e “irrealizáveis”. Ela também afastou a alegação sobre dois integrantes do júri que, segundo os advogados, seriam servidores municipais. Os advogados de Jairinho negam a intenção de protelar o caso.
Reviravolta no início da sessão
No início do dia, a juíza já lia sua decisão sobre adiar o julgamento, após pedido de Jairinho, quando foi interrompida pela defesa do ex-vereador. Após conversa com advogados, o réu decidiu reconstituir sua banca, incluindo seu filho Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, recém-formado em direito, como um dos integrantes.
A mãe de Henry, Monique Medeiros, também é ré no caso, respondendo por homicídio qualificado e omissão. O julgamento deveria ter sido iniciado no dia 23 de março, mas os advogados de Jairinho se retiraram do plenário, obrigando o adiamento. O argumento do promotor Fábio Vieira, que defendeu a transferência de Jairinho de Bangu 8, teria mudado a estratégia do ex-vereador neste primeiro dia. Para Vieira, os requerimentos de nulidade “ofendem o bom senso” e tinham como objetivo “induzir os jurados a erro”. A pedido da defesa de Jairinho, estão proibidas imagens dentro do plenário. O julgamento deve durar pelo menos uma semana.



