Goleiro Bruno estreia no Vasco-AC em meio a polêmica de jogadores presos por estupro
O goleiro Bruno Fernandes foi confirmado como titular no jogo do Vasco-AC contra o Velo Clube, nesta quinta-feira (19), no Estádio Arena da Floresta, em Rio Branco. A estreia do atleta, condenado a 22 anos pelo homicídio da modelo Eliza Samudio, ocorre em um momento delicado para o clube acreano, que enfrenta uma grave crise envolvendo quatro de seus jogadores, presos por suspeita de estupro coletivo.
Retorno ao Acre e regularização
Bruno chegou ao Acre no último domingo (15) e se apresentou oficialmente na segunda-feira (16), no Campo da Fazendinha. Sua regularização no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi concluída na tarde de quarta-feira (18), permitindo sua participação no campeonato. Este é o segundo período do goleiro no estado, onde já defendeu o Rio Branco-AC em 2020, marcando inclusive um gol em 18 partidas.
Cumprimento de obrigações legais
Recentemente, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que Bruno se apresentasse ao Conselho Penitenciário para regularizar seu livramento condicional dentro de cinco dias. O g1 apurou que o atleta compareceu à Justiça carioca no dia 11 de fevereiro e participou do ato, cumprindo assim com a obrigação legal. Dias antes, ele havia publicado nas redes sociais imagens comemorando seu "retorno" ao Maracanã como torcedor do Flamengo.
Polêmicas anteriores no Acre
A primeira passagem de Bruno pelo Acre foi marcada por controvérsias. Após o anúncio de sua contratação pelo Rio Branco-AC em 2020, uma rede de supermercados suspendeu o patrocínio ao clube, e a técnica Rose Costa, que trabalharia com o futebol feminino, se desligou da equipe. Em setembro daquele ano, o goleiro foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, conseguindo posteriormente uma liminar para retirá-la durante treinos e jogos.
Caso de estupro coletivo envolvendo jogadores
Enquanto Bruno estreia, quatro jogadores do Vasco-AC estão presos por suspeita de estupro coletivo de duas mulheres na noite da última sexta-feira (13), em Rio Branco. Os investigados são:
- Erick Luiz Serpa Santos Oliveira
- Matheus Silva
- Brian Peixoto Henrique Iliziario
- Alex Pires Júnior (Lekinho)
Erick foi preso preventivamente desde domingo (15), enquanto os demais se apresentaram à polícia na terça-feira (17). Na quarta-feira (18), Alex, Matheus e Brian tiveram a prisão temporária mantida em audiência de custódia e devem ficar detidos por até 40 dias no Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde (FOC).
Detalhes das investigações
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no sábado (14). O delegado Alcino Souza, que estava de plantão, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência imediatamente, sendo encaminhadas para atendimento médico.
As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. A polícia afirma que as mulheres foram ao alojamento dos jogadores para se relacionar de forma consensual, mas teriam sido submetidas a abusos posteriormente. "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação", resumiu o delegado.
Posicionamento do clube e defesa dos jogadores
Em nota, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. Os jogadores negam as acusações de estupro.
Os advogados dos atletas já anunciaram que entrarão com recursos contra a decisão judicial. Atevaldo Santana, defensor de Matheus e Brian, explicou que pretende pedir habeas corpus para reverter a prisão. Robson Aguiar, advogado de Alex Pires Júnior, também confirmou que está preparando o habeas corpus tanto para o tribunal quanto para o juiz que decretou a prisão.
Contexto local
O caso ocorre em um estado que registrou mais de 600 casos de estupro em apenas sete meses, com 80% das vítimas sendo consideradas vulneráveis. A secretária de Segurança Pública do Acre já se manifestou, afirmando que "sexo sem consentimento é estupro", em referência às investigações contra os jogadores do Vasco-AC.