Diretor da FIFA compartilha experiência pessoal e defende federação em artigo
Em um artigo publicado em um site esportivo norte-americano, Bryan Swanson, diretor de Relações com a Mídia da FIFA, abordou temas sensíveis relacionados à sua orientação sexual e ao papel da principal federação de futebol do mundo. O executivo, que está prestes a completar uma década na gestão do presidente Gianni Infantino, revelou como foi se assumir gay durante a Copa do Mundo de 2022, realizada no Catar, um país onde a homossexualidade é considerada crime.
Revelação pública em meio a críticas
Swanson detalhou que fez sua revelação durante uma coletiva de imprensa para mais de 400 jornalistas, em um contexto marcado por fortes críticas à escolha do Catar como sede do torneio. Ele questionou abertamente os governos que pedem boicotes a nações homofóbicas, mas mantêm relações comerciais bilionárias com esses mesmos países. "Por que esperar que o futebol resolva todos os problemas do mundo?", indagou o diretor, defendendo as decisões tomadas por ele e seus colegas dentro da FIFA.
Defesa da inclusão e apoio interno
No texto, Bryan Swanson destacou que a FIFA conta com diversos funcionários que fazem parte da comunidade LGBTQIA+ e promove iniciativas inclusivas. Ele mencionou ações como manifestações contra atos preconceituosos e programas que ajudam mulheres do Afeganistão, Coreia do Norte e Irã a terem acesso ao esporte e participarem de eventos internacionais. "Eu não teria me sentido tão confortável em dizer isso se não fosse pelo incentivo e apoio de Gianni Infantino", afirmou, ressaltando seu orgulho em trabalhar para uma organização que considera inclusiva.
Contexto de polêmicas recentes
A publicação do artigo ocorre em um momento em que Gianni Infantino tem enfrentado duras críticas da comunidade futebolística por diversas decisões controversas. Entre elas, estão a concessão de um prêmio da paz ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o apoio à participação de Israel em torneios de classificação para a Copa do Mundo, apesar do conflito na Palestina, e a proibição da Rússia nas competições desde 2022 devido à invasão da Ucrânia. Swanson, no entanto, mantém uma postura de defesa da federação, argumentando que seu papel vai além de posicionamentos políticos imediatos.
O diretor enfatizou que, apesar das críticas, a FIFA continua a trabalhar em projetos que promovem a diversidade e a inclusão no esporte. Sua experiência pessoal serve como um testemunho das complexidades enfrentadas por indivíduos LGBTQIA+ em ambientes tradicionalmente conservadores, como o futebol internacional, e abre um debate necessário sobre como instituições globais podem equilibrar princípios éticos com realidades geopolíticas.