Corinthians e Palmeiras divergem sobre gramado sintético no futebol brasileiro
Corinthians e Palmeiras divergem sobre gramado sintético

Corinthians e Palmeiras travam debate acalorado sobre gramado sintético no futebol brasileiro

Em uma discussão que divide opiniões no cenário esportivo nacional, Marcelo Paz, diretor executivo do Corinthians, e Anderson Barros, diretor de futebol do Palmeiras, apresentaram visões diametralmente opostas sobre o uso de gramados sintéticos no futebol profissional brasileiro. O embate começou após a partida entre Corinthians e Athletico-PR, realizada na Arena da Baixada, que possui campo artificial.

Marcelo Paz defende grama natural como padrão de excelência

Em entrevista ao programa "Fala a Fonte", da ESPN, Marcelo Paz foi enfático ao criticar os gramados sintéticos. Ele utilizou como exemplo a Copa do Mundo, destacando que o maior evento do futebol mundial não conta com campos artificiais em suas sedes.

"Eu não gosto de sintético. Acho que futebol profissional, de alto nível, foi feito para jogar em grama natural", afirmou Paz. "Vamos ter a Copa. Quantos campos sintéticos? Nenhum. Se no maior evento de futebol não tem, é porque o melhor é a grama natural".

O dirigente corintiano reforçou que sua posição é respaldada pela opinião dos atletas, que seriam os principais afetados pelas características do piso artificial.

"A minha opinião vale muito menos - a dos jogadores vale muito mais. É quem vai para o campo que sente a dor de pisar em um campo mais duro por 100 minutos", argumentou. "Não conheço nenhum que diga que é melhor jogar no sintético. Não há dúvida de que, para os jogadores, o pior tipo de piso é o sintético".

Anderson Barros rebate com dados e acusa de hipocrisia

Horas depois, também em entrevista à ESPN, Anderson Barros, do Palmeiras, respondeu diretamente às declarações de Paz. O dirigente alviverde classificou a discussão como "hipócrita" e apresentou números para sustentar sua defesa dos gramados sintéticos.

"Como o Marcelo Paz pode criticar o uso de grama sintética se, até o ano passado, ele era o CEO da SAF do Fortaleza, que manda os seus jogos em um dos piores campos do futebol brasileiro?", questionou Barros, referindo-se ao estádio do Castelão, que possui gramado natural mas frequentemente é alvo de críticas por sua qualidade.

Barros destacou que o Palmeiras, que realiza treinos e partidas em campos sintéticos, apresenta um desempenho notável em termos de saúde dos atletas.

"Temos de parar com esta discussão hipócrita sobre gramado natural versus gramado artificial e focar no que realmente importa, ou seja, na qualidade dos nossos campos independente do tipo da grama", defendeu o diretor palmeirense.

Dados do Palmeiras desafiam críticas ao sintético

Anderson Barros apresentou um argumento baseado em estatísticas: "O Palmeiras manda jogos e treina regularmente no campo sintético e é o clube da Série A com menor número de lesões nos últimos seis anos".

Essa informação coloca em xeque a associação direta entre gramados artificiais e maior risco de lesões, frequentemente citada por críticos como Marcelo Paz.

O dirigente do Palmeiras finalizou com um apelo por uma discussão mais técnica e menos emocional: "Temos de parar com achismos e debater esse tema a partir de evidências científicas e dentro dos fóruns adequados".

Implicações para o futebol brasileiro

Este debate ocorre em um momento crucial para o futebol nacional, onde vários clubes consideram a adoção de gramados sintéticos como solução para problemas de manutenção, especialmente em regiões com clima adverso ou em estádios com múltiplos usos.

A divergência entre dois dos maiores clubes do país revela:

  • A falta de consenso sobre o padrão ideal de campos no Brasil
  • A tensão entre tradição (grama natural) e modernidade (tecnologia sintética)
  • A necessidade de mais estudos científicos sobre o impacto dos diferentes tipos de piso na performance e saúde dos atletas
  • Como questões técnicas podem se tornar disputas clubísticas no cenário esportivo brasileiro

Enquanto o Corinthians defende a manutenção da grama natural como padrão de excelência, o Palmeiras aponta para resultados concretos obtidos com a tecnologia sintética. O desfecho desta discussão poderá influenciar decisões de outros clubes e até mesmo regulamentações da CBF sobre os padrões de campos no campeonato brasileiro.