Arbitragem ativa protocolo após assédio sexual contra médica em jogo do Paulistão
Um episódio grave de assédio sexual ocorreu durante uma partida do Campeonato Paulista, envolvendo a médica Bianca Francelino, que estava a trabalho prestando assistência ao time visitante. O caso aconteceu no sábado, 7 de março de 2026, véspera do Dia da Mulher, no Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto, São Paulo, durante o confronto entre Comercial e Nacional-SP, válido pela nona rodada da Série A4 do torneio estadual.
Relato detalhado da vítima sobre os ataques verbais
De acordo com o depoimento da profissional à EPTV, afiliada da TV Globo, ela foi alvo de palavras ofensivas e de cunho sexual durante toda a partida. Torcedores do alambrado gritavam frases como 'doutora gostosa', 'doutora gostosa, vem aqui me examinar' e 'doutora gostosa, estou com uma dor aqui', apontando para partes íntimas. Além disso, houve pedidos de contato via WhatsApp e Instagram, acompanhados de comentários depreciativos sugerindo que ela não deveria estar naquele ambiente se não quisesse ouvir 'zoeirinhas'.
Reação imediata da arbitragem e procedimentos adotados
Durante o jogo, a árbitra responsável acionou o protocolo estabelecido no tratado pela diversidade e contra a intolerância no futebol paulista. Como resultado, a partida foi temporariamente paralisada, e a médica foi questionada se conseguiria continuar em campo. Ela afirmou que sim, mas, apesar da interrupção, nenhum torcedor foi retirado do estádio, e não foi registrado um boletim de ocorrência no momento do incidente.
Posicionamento das entidades envolvidas no caso
Em nota oficial, o Comercial repudiou veementemente o assédio e informou que um dos torcedores envolvidos já foi identificado. A Federação Paulista de Futebol, por sua vez, comunicou que o caso foi encaminhado às autoridades competentes e que os responsáveis serão punidos de forma rigorosa, conforme as normas disciplinares do esporte.
Contexto e implicações do incidente no ambiente esportivo
Este episódio ocorre em um momento sensível, próximo ao Dia da Mulher, destacando desafios persistentes de violência de gênero no futebol. A reação da arbitragem, embora tenha seguido protocolos, levanta questões sobre a eficácia das medidas de proteção em eventos esportivos, especialmente quando as vítimas são profissionais em exercício de suas funções.
O assédio sofrido por Bianca Francelino reflete uma cultura problemática em alguns setores do torcedorismo, onde comportamentos inadequados são normalizados. Especialistas apontam a necessidade de campanhas educativas e ações mais firmes para coibir tais práticas e garantir um ambiente seguro para todos, independentemente do gênero.
A médica, que demonstrou resiliência ao optar por continuar no campo, representa um exemplo de enfrentamento a situações de assédio, mas seu caso também evidencia lacunas nos procedimentos de segurança. A falta de remoção imediata dos agressores e a ausência de registro policial podem minar esforços para combater a intolerância no esporte.
Em suma, o incidente no Paulistão serve como um alerta para a urgência em reforçar políticas de diversidade e proteção no futebol, assegurando que eventos esportivos sejam espaços de inclusão e respeito, livres de qualquer forma de violência ou discriminação.



