Empreendedorismo feminino transforma Juruaia em polo de moda íntima em MG
Mulheres transformam Juruaia em polo de moda íntima

Lojistas e revendedoras de todo o Brasil encontram em Juruaia produtos com alto valor agregado e margens competitivas para revenda. A cidade mineira se consolidou como o maior polo de moda íntima do estado, impulsionado pelo empreendedorismo feminino.

Trajetória de sucesso

Quando Rosana Aparecida Marques abriu sua confecção em Juruaia, em 1994, seguia apenas o instinto. O polo de lingerie da cidade ainda engatinhava, com poucas empresas e incertezas sobre o futuro. Rosana formou-se professora, mas percebeu que o comércio era seu verdadeiro caminho. Três décadas depois, ela é uma das fundadoras da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Juruaia (ACIJU) e da Feira de Lingerie de Juruaia (Felinju). Sua marca emprega mais de 90 funcionários e produz entre 60 e 70 mil peças por mês.

Essa trajetória não é exceção em Juruaia, mas sim o padrão. Das mais de 200 confecções instaladas na cidade, 95% são comandadas por mulheres que, em sua maioria, começaram pequenas, aprenderam o ofício na prática e cresceram junto com o polo. Essa força coletiva transformou uma cidade cafeeira do Sul de Minas no maior polo de moda íntima de Minas Gerais.

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Da lavoura à fábrica

A história de Tânia Mara Rezende, fundadora da Íntima Passion e uma das principais lideranças da ACIJU, é emblemática. Aos 12 anos, ela trabalhava na lavoura de café para ter sua primeira renda. Em busca de independência financeira, passou a trabalhar com as tias em um ateliê de costura, aprendendo desde a elaboração dos moldes até o acabamento final. Com sua mãe e uma amiga, iniciou a atividade fabricando em média 150 peças diárias. Hoje, sua fábrica produz cerca de 30 mil peças mensais, com 150 colaboradores. Suas filhas, Vitória e Lara, cuidam do marketing e da produção.

Para Tânia, o segredo do polo é simples e profundo: "O sucesso de Juruaia está totalmente ligado à garra e perseverança de nossos empresários, principalmente as mulheres". Ela presidiu a ACIJU por dez anos e acompanhou o crescimento do polo de perto.

Um modelo que se multiplicou

O que torna Juruaia diferente de outros polos produtivos é a cultura de colaboração construída pelas mulheres desde o início. Mais de 20 ex-colaboradores de uma única empresa decidiram começar seus próprios negócios, apoiados pela empresária que os formou, com a crença de que o crescimento de Juruaia dependia do aumento no número de lojas. Essa lógica de crescimento coletivo explica como o polo chegou a mais de 200 confecções em pouco mais de três décadas.

Em muitas casas, a mulher, o marido e a filha atuam em pequenas empresas que prestam serviço para outras, as chamadas facções, que funcionam como satélites das confecções maiores, garantindo flexibilidade e escala sem comprometer a qualidade das peças.

Um legado que passa de mão em mão

O empreendedorismo feminino de Juruaia não se limita às fundadoras, mas também à nova geração. Filhas e netas das pioneiras chegam com formação universitária em administração, marketing e design, assumindo os negócios da família com uma visão ampla, sem abrir mão das raízes.

Em quase trinta anos de atividades, cerca de 4 milhões de turistas já estiveram em Juruaia para fazer negócios, atraídos pelo polo de moda íntima. Esse número representa 400 vezes o tamanho da população da cidade e demonstra o que as mulheres de Juruaia construíram: um lugar que o Brasil aprendeu a conhecer porque elas decidiram que assim seria.

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