Filme 'Mãe Bonifácia' com Zezé Motta terá estreia gratuita em Cuiabá em 2026
O aguardado longa-metragem "Mãe Bonifácia", dirigido por Salles Fernandes e protagonizado pela renomada atriz Zezé Motta, será exibido pela primeira vez no dia 31 de março de 2026, no Cine Teatro Cuiabá. A sessão especial terá entrada gratuita e começará às 19h30, marcando um momento histórico para a cultura mato-grossense e a representação afro-brasileira no cinema nacional.
Produção e contexto histórico
A produção cinematográfica retrata a figura emblemática de Mãe Bonifácia, uma mulher negra alforriada que viveu em Cuiabá no final do século XIX e desempenhou um papel crucial na luta pela liberdade dos escravizados da época. As gravações do filme ocorreram entre abril e maio de 2025, em uma chácara localizada em Sorriso, a aproximadamente 420 quilômetros da capital mato-grossense.
O projeto conta com recursos da Lei Cultural Paulo Gustavo e recebeu apoio significativo da Prefeitura de Sorriso, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Para o diretor Salles Fernandes, cineasta paraibano radicado em Mato Grosso desde 1996, este é o primeiro longa-metragem dirigido exclusivamente por ele, sendo também um dos roteiristas da obra.
Zezé Motta e sua trajetória inspiradora
Com mais de cinco décadas de carreira, mais de 100 papéis no cinema e televisão e 11 discos gravados, Zezé Motta é uma pioneira na luta por maior representatividade das mulheres negras nas artes brasileiras. Uma de suas personagens mais marcantes, inclusive segundo a própria atriz, é Xica da Silva, do filme de 1976 que narra a história de uma escravizada que ascendeu socialmente em Diamantina.
A interpretação de Mãe Bonifácia promete reforçar o legado de Zezé Motta como símbolo de resistência e empoderamento, trazendo à tona uma narrativa pouco conhecida, mas fundamental para a compreensão da história afro-brasileira.
Quem foi Mãe Bonifácia?
A trajetória de Mãe Bonifácia permanece envolta em certa nebulosidade para muitos pesquisadores, com a maior parte das informações sendo transmitida oralmente ao longo das gerações. No entanto, em 2025, historiadores localizaram nos arquivos da Cúria Metropolitana de Cuiabá o registro de óbito da personagem, falecida aos 80 anos em 19 de fevereiro de 1867.
Segundo relatos compilados por Aníbal Alencastro, geógrafo e pesquisador cuiabano, Mãe Bonifácia residia na Avenida Lavapés e utilizava sua astúcia para auxiliar escravizados fugitivos. Ela orientava-os a seguir pelo leito de um córrego próximo à sua casa, impedindo que fossem farejados pelos cães dos capitães do mato, homens contratados para recapturar negros em fuga.
O apelido carinhoso de "mãe" surgiu em decorrência de sua bondade e proteção oferecida à comunidade negra. Em dezembro de 2000, como homenagem póstuma, foi inaugurado o Parque Estadual Mãe Bonifácia na região central de Cuiabá, uma área verde de 77 hectares com aproximadamente dez quilômetros de trilhas, eternizando seu legado como ícone de força e resistência.
Impacto cultural e expectativas
A estreia do filme "Mãe Bonifácia" não apenas celebra a memória de uma heroína local, mas também contribui para o resgate e valorização da história afro-brasileira, frequentemente negligenciada nos registros oficiais. A exibição gratuita em Cuiabá simboliza um compromisso com o acesso democrático à cultura e o reconhecimento das raízes históricas que moldaram a identidade mato-grossense.
Com uma narrativa que mescla dados históricos recém-descobertos e a tradição oral, o longa-metragem promete emocionar plateias e estimular debates sobre representatividade, justiça social e a importância de preservar as memórias coletivas como forma de resistência cultural.