‘Devoradores de Estrelas’ une ciência e emoção em nova era do cinema espacial
‘Devoradores de Estrelas’ une ciência e emoção no cinema

‘Devoradores de Estrelas’ reforça lista de filmes que transformam ciência em entretenimento

Focado tanto no apuro científico quanto na construção emocional da trama, o filme Devoradores de Estrelas mantém vivo o filão cinematográfico que une conhecimento acadêmico com narrativas cativantes. Baseado no livro de Andy Weir, a produção já é um sucesso de bilheteria, está cotada para o Oscar e vem sendo comparada a clássicos modernos como Interestelar e Perdido em Marte.

Enredo científico com drama humano

No filme, o Sol perde sua força de forma drástica e rápida, colocando toda a vida na Terra sob ameaça iminente. Pesquisadores descobrem que o culpado é uma espécie de micróbio alienígena, batizado de astrófago, que gradualmente cobre a superfície do astro. O pior é que diversas outras estrelas do tipo na galáxia também foram atacadas pela praga, exceto por uma localizada no sistema de Tau Ceti, a impressionantes 12 anos-luz de distância da Terra.

Para descobrir qual o segredo desse Sol imune ao problema, um time de astronautas é enviado ao local, mas apenas o cientista Ryland Grace, interpretado por Ryan Gosling, sobrevive à viagem. Com esse mote amarrado por teorias complexas da física quântica, química e biologia, o filme alcançou um feito notável: em seu fim de semana de estreia, arrecadou a estonteante bilheteria de 140 milhões de dólares.

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Rigor científico como entretenimento

O fascínio pelo espaço sideral é tema constante do cinema, sendo 2001: Uma Odisseia no Espaço, clássico dirigido por Stanley Kubrick em 1968, considerado o padrão ouro do trato estético desse gênero. Nas últimas décadas, apesar da proliferação de títulos do tipo, são poucos os que conseguiram mesclar rigor científico e entretenimento sem deixar seu público leigo no escuro ou entediado.

Tal feito foi alcançado com louvor por Devoradores de Estrelas. Não à toa, ele vem sendo comparado a filmes recentes que furaram a bolha das teorias acadêmicas para abocanhar milhões em bilheteria. Caso de Interestelar (2014), de Christopher Nolan, e Perdido em Marte (2015), de Ridley Scott — o primeiro fez 774 milhões de dólares; o segundo, 630 milhões.

Em comum, o trio usa a exploração do universo para discorrer sobre questões existenciais acentuadas pelo vislumbre de uma possível extinção humana. Outro ponto de convergência é o escritor americano Andy Weir, autor dos livros Devoradores de Estrelas e Perdido em Marte, que foram adaptados com notável fidelidade para as telas.

Detalhamento meticuloso do método científico

Filho de um físico e de uma engenheira elétrica, Andy Weir cresceu fascinado pelas ciências exatas e chegou a trabalhar como programador antes de migrar para a escrita. Em 2011, ele estreou de forma louvável com a trama sobre um astronauta que fica para trás em uma missão de colonização de Marte — papel dado a Matt Damon no cinema.

A história foi eleita pela NASA como a “mais realista” já feita pela ficção científica. Para isso, Weir pesquisou extensivamente sobre órbitas planetárias e as características peculiares do planeta vermelho. Já Devoradores de Estrelas levou o autor a detalhar o método científico em si, um árduo processo de tentativa, erro e colaboração constante.

A descoberta mais importante do protagonista, por exemplo, vem de um experimento com uma caixa improvisada ainda em solo terrestre. Em outro momento crucial, uma confusão entre miligramas e nanogramas tem consequências catastróficas para a missão. Já na hora de retratar a jornada hercúlea do cientista pelo espaço, a teoria da relatividade de Albert Einstein veio a calhar: Grace não envelhece como seus conterrâneos que permanecem na Terra, já que a nave em que está se movimenta muito mais rápido.

Questões existenciais no espaço-tempo

Quando Ryland Grace encontra um viajante de outro planeta, com a mesma missão de salvar sua civilização, a amizade que se desenvolve é profundamente afetada por questões específicas do espaço-tempo. Este princípio também é parte essencial do aclamado Interestelar.

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Na produção de Christopher Nolan, quem busca uma solução para o apocalipse é o fazendeiro e ex-piloto Cooper, interpretado por Matthew McConaughey, que atravessa o universo com a ajuda de um “buraco de minhoca”, uma passagem teórica no espaço-tempo, para encontrar um novo planeta para a humanidade. Quando retoma o contato com os filhos que ficaram na Terra, o pai se revela mais jovem que a própria prole.

“O amor é a única coisa perceptível que transcende o espaço e o tempo”, diz a frase mais lembrada do filme, encapsulando a essência emocional que permeia essas produções. Devoradores de Estrelas se torna assim o mais recente e brilhante exemplo de como nada se compara ao nosso doce lar, mesmo quando exploramos os confins do universo.

Com sua combinação única de rigor acadêmico e narrativa emocional, o filme não apenas entrete milhões de espectadores, mas também educa sobre complexos conceitos científicos, demonstrando que o cinema pode ser tanto uma fonte de diversão quanto de conhecimento profundo sobre nosso lugar no cosmos.