Smart City Expo Curitiba 2026: Como as cidades se preparam para 70% da população urbana até 2050
Smart City Expo Curitiba 2026 debate futuro das cidades inteligentes

Smart City Expo Curitiba 2026: O futuro das cidades em debate com crescimento populacional global

Com a população mundial ultrapassando a marca de oito bilhões de habitantes, o desafio de acomodar esse contingente recai diretamente sobre os centros urbanos. Dados recentes da Organização das Nações Unidas projetam que, até o ano de 2050, aproximadamente sete em cada dez pessoas viverão em áreas urbanas. Essa realidade exige uma reestruturação urgente da infraestrutura atual para manter e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

Curitiba como palco global da inovação urbana

É justamente para debater como preparar as cidades para esse futuro que Curitiba recebe a sétima edição do Smart City Expo Curitiba. Com data marcada para os dias 25, 26 e 27 de março de 2026, o evento será realizado na Arena da Baixada sob o tema inspirador "Cidades como Lugares para Inovar, Criar e Vivenciar". Para compreender o rumo das transformações nos centros urbanos, é fundamental olhar para o legado construído até aqui.

Ao chegar em sua sétima edição, o evento evoluiu significativamente desde sua criação. De um público inicial de cinco mil pessoas em 2018, a expectativa para 2026 é receber impressionantes 23 mil participantes, consolidando um legado difícil de ignorar no cenário nacional e internacional.

Da cidade planejada ao laboratório vivo de inovação

A história do evento começou a ser desenhada em 2018, quando Curitiba, embora já reconhecida por seu planejamento urbano histórico, dava os primeiros passos firmes em sua digitalização. A realização da primeira edição foi o marco que inseriu a capital paranaense no radar global da Fira de Barcelona, instituição responsável por eventos de cidades inteligentes em todo o mundo.

Para Beto Marcelino, sócio-fundador do iCities, hub especializado em inovação urbana, o protagonismo da cidade é reflexo direto de sua formação histórica única. "Curitiba teve um processo chamado Plano Diretor Agache, que fez a constituição de uma cidade planejada. A partir daí, tivemos outros projetos que também nasceram da visão do arquiteto Jaime Lerner, modernizando a cidade especialmente na questão do transporte público", explica Marcelino.

Ele destaca que essa base histórica já colocou Curitiba, nas décadas de 70 e 80, num seleto hall de cidades planejadas, algo que até então só acontecia fora do Brasil, com a notável exceção de Brasília. "Quando nós criamos o iCities, ficou natural usar Curitiba como um laboratório vivo para testar e validar soluções diversas, sejam elas tecnológicas ou de cunho social e ambiental", revela o especialista.

Transformação visível nas ruas e no ecossistema de negócios

Essa transformação não ficou apenas no discurso ou em planos teóricos. Segundo Marcelino, a mudança é visível nas ruas e na mentalidade local ao longo destes oito anos, abrangendo desde a infraestrutura física até o ambiente de negócios.

"As políticas públicas mudaram radicalmente: abrir uma empresa em Curitiba agora demora apenas duas horas, é um processo extremamente rápido. O ecossistema de inovação ficou muito forte e tivemos três unicórnios no Sul do país, e as três são de Curitiba", destaca Marcelino, referindo-se às empresas Ebanx, Olist e MadeiraMadeira, todas avaliadas em mais de um bilhão de dólares.

Mercado de cidades inteligentes em expansão acelerada

O mercado global de Smart Cities passou por um aumento significativo nos investimentos e se tornou cada vez mais visado por governos e empresas. Entre 2024 e 2029, o crescimento esperado é de impressionantes US$ 332,5 bilhões. Para contextualizar, em 2018, o valor total investido no setor foi de US$ 80 bilhões, demonstrando uma expansão acelerada.

Esse aumento na relevância econômica afeta diretamente eventos como o Smart City Expo Curitiba, que agora é visto como um meio essencial para viabilizar projetos inteligentes e conectar diferentes atores do ecossistema.

Influência internacional e troca de experiências

A influência internacional também foi fundamental para o desenvolvimento do conceito no Brasil. Foi a partir de exemplos de países como Espanha, Coreia do Sul e Singapura que o iCities conseguiu atuar promovendo mudanças concretas.

"Curitiba levou seus gestores públicos através do evento para Barcelona, onde interagiram com prefeitos do mundo todo. O iCities foi um grande promotor da mudança de Curitiba de uma 'cidade modelo' tradicional para uma verdadeira cidade inteligente", enfatiza Marcelino.

O custo de não adotar o conceito smart

A insistência nessa agenda é vital para o futuro das cidades. O modelo urbano do século XX, estruturado predominantemente em torno do automóvel particular, gerou graves conflitos de mobilidade e significativa degradação ambiental. Hoje, seguir o conceito smart de cidade pode ser um poderoso potencializador na qualidade de vida dos cidadãos.

É por isso que a troca de experiências promovida pelo evento tem um destaque especial. Na última edição, representantes de mais de 600 municípios brasileiros e comitivas de mais de 25 países circularam pelos corredores do evento, criando uma rede global de conhecimento.

Impacto nacional e inspiração para municípios de todos os portes

O impacto dessa troca é o aumento de polos inovadores em todo o território nacional. Seja de um município ribeirinho do Amazonas ou do Agreste pernambucano, os gestores públicos levam a inspiração de projetos que efetivamente melhoraram a vida das pessoas em diferentes contextos.

"Seja no transporte público, na educação ou na tecnologia para agendamento de consultas médicas, por exemplo, eles vêm para cá e conseguem entender, adaptar e se inspirar", explica Marcelino sobre o processo de aprendizagem que ocorre durante o evento.

2026: Um passo além na inovação urbana

Para a edição de 2026, o tema "Cidades como Lugares para Inovar, Criar e Vivenciar" propõe um passo além na discussão sobre o futuro urbano. "O gestor público precisa adotar um pouco do pensamento empreendedor e das metodologias ágeis. Isso resulta em serviços públicos melhores, mais eficientes e mais humanos", analisa Beto Marcelino.

O Smart City Expo Curitiba 2026 não será apenas sobre o que virá no futuro, mas sobre a responsabilidade no uso das ferramentas já disponíveis. "É a escuta ativa do gestor público das pessoas que se comunicam cada vez mais através de plataformas digitais. Isso possibilita vivenciar uma cidade mais acolhedora, humanizada e resiliente às adversidades que certamente virão", finaliza o especialista, destacando a importância da participação cidadã na construção das cidades do amanhã.