Leilão histórico mobiliza São José dos Campos com área da antiga Tecelagem Parahyba
Uma parte significativa do terreno da antiga Tecelagem Parahyba, localizada em São José dos Campos e reconhecida como patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi colocada em leilão virtual com lances iniciais a partir de R$ 195 milhões. Esta operação financeira de grande porte envolve uma área de aproximadamente 521 mil metros quadrados, situada no bairro Santana, na região norte da cidade, adjacente ao conhecido Parque da Cidade.
Valorização histórica e potencial de uso
Conforme explicou o advogado representante dos proprietários, o valor mínimo estabelecido para o leilão considera não apenas as dimensões físicas do terreno, mas também a relevância histórica do local e o potencial de desenvolvimento da região. "É uma área que já foi explorada e que poderá ser utilizada para uma série de eventos, como circo, parque de diversões e shows. O próprio campo de futebol já é usado para jogos locais. A usina de leite também é uma área grande, tombada, que pode receber novos projetos, como uma casa de eventos ou até um restaurante", afirmou o profissional.
Atualmente, o espaço abriga campos de futebol utilizados por escolinhas esportivas e pelo futebol amador, além de uma área frequentemente alugada para festas e eventos diversos. Esta multifuncionalidade demonstra a versatilidade do local, que mantém atividades comunitárias mesmo durante o processo de leilão.
Patrimônio industrial e tombamento
A Tecelagem Parahyba foi fundada em 1925 e rapidamente se tornou um dos principais marcos da industrialização de São José dos Campos, ganhando destaque até mesmo no cenário nacional. A empresa ficou famosa pela venda de cobertores, impulsionada por um jingle televisivo memorável, e alcançou grande sucesso nas exportações do produto. As atividades industriais foram encerradas no início da década de 1990, mas o legado permanece através das estruturas preservadas.
Entre os bens tombados pelo Iphan estão o prédio onde funcionava a indústria e a residência da família Olivo Gomes, testemunhos arquitetônicos de uma era de prosperidade econômica. Dentro do terreno leiloado, também se encontram a fachada da antiga usina de leite da tecelagem e uma arquibancada do clube de esportes utilizado pelos funcionários, todas sob proteção patrimonial.
Preservação obrigatória e restrições
O futuro proprietário da área terá a obrigação legal de preservar as estruturas tombadas, independentemente do uso planejado para o restante do terreno. Conforme esclareceu o advogado, intervenções são permitidas, mas exigem autorização prévia do Iphan. "É possível restaurar e conservar, mas qualquer alteração precisa de autorização do Iphan. A única limitação construtiva é a preservação dos itens incluídos no processo de tombamento", explicou.
Além das construções históricas, o terreno possui cerca de 82 mil metros quadrados de Área de Preservação Permanente (APP), reforçando a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento e conservação ambiental. O Iphan emitiu nota lembrando que a preservação e manutenção do bem tombado são responsabilidades do proprietário, e em caso de venda, o novo dono deve comunicar o órgão em até 30 dias após o registro em cartório, sob pena de multa.
Processo de leilão e expectativas
Até o momento, nenhuma oferta foi registrada no leilão, que permanecerá aberto até o dia 17 de abril. A expectativa é que investidores reconheçam o valor único desta área, que combina herança industrial, potencial comercial e importância comunitária. A Tecelagem Parahyba, adquirida por empresários em 2003, agora aguarda um novo capítulo em sua história centenária, com a promessa de que seu patrimônio será mantido para as futuras gerações.