Diretora resgata três micos-leões-pretos em rodovia de Guareí
Micos-leões-pretos resgatados em rodovia de Guareí

Em Guareí, interior de São Paulo, a diretora do Departamento de Meio Ambiente, Sabrina Priscila de Barros Oliveira, de 42 anos, realizou o resgate de três micos-leões-pretos que estavam às margens da Rodovia Vicinal Domiciano de Souza. Os animais foram encaminhados para uma área de mata segura. Um morador registrou o momento em que Sabrina orienta os animais para que consigam atravessar a pista com segurança.

Detalhes do resgate

Nas imagens, um dos micos aparece sobre o toco de uma cerca, salta até o topo de uma árvore e segue os gestos da mulher. Com paciência, Sabrina conduz os animais até o outro lado da rodovia. Ao g1, Sabrina explica que o setor foi acionado na quinta-feira (23), após relatos de macaquinhos circulando em uma pista de caminhada próxima à rodovia, no perímetro urbano de Guareí. Ao chegar ao local, a diretora encontrou os animais silvestres aparentemente assustados e desorientados.

O morador Ciro Costa, responsável por registrar o resgate e fotógrafo de animais silvestres, foi um dos que acionaram o setor. Ele conta que recebeu uma ligação sobre a presença dos macacos no local, distante da área de mata. Após confirmar a localização dos animais, entrou em contato com Sabrina. "Parecia que estavam querendo ser ajudados. A gente precisa ajudar eles, porque é um risco de atropelamento, é uma via bastante movimentada onde eles estavam", comenta Ciro.

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Técnica de vocalização

Os animais chegaram a atravessar a rodovia duas vezes até alcançarem uma área verde, de onde seguiram em segurança para o interior da mata. Para ajudar os micos, Sabrina recorreu a uma técnica aprendida com biólogos e pesquisadores: a reprodução da vocalização da espécie. Com o celular, ela colocou o som emitido pelos animais na tentativa de guiá-los e, para sua própria surpresa, a estratégia funcionou, fazendo com que os três começassem a se movimentar.

"Não tinha muito o que fazer na hora, porque normalmente nós orientamos as pessoas a não estar passando pelo local, que o animal, se sentindo seguro, ele volta para o habitat natural deles. Mas, nesse caso específico, não tinha como fazer isso, por ser uma área de bastante acesso", disse Sabrina. Com a ajuda de uma colega do setor e do morador, Sabrina conseguiu controlar o fluxo de veículos na rodovia. Juntos, eles percorreram quase dois quilômetros até encontrarem um local seguro, onde os animais já costumam aparecer.

Emoção e experiência

"Foi a melhor e mais emocionante experiência em todos os anos de trabalho com o meio ambiente. Foi muito emocionante. Em todos os anos trabalhando no meio ambiente, essa foi a primeira vez que me ocorreu um evento tão significativo e emocionante", relata. Segundo Sabrina, o primeiro registro da espécie em Guareí foi em 8 de abril de 2013. No ano seguinte, pesquisadores de universidades públicas estiveram na cidade para iniciar estudos sobre os macacos, o que contribuiu para ampliar o conhecimento da diretora sobre a espécie. Já em 2017, o município passou a contar com duas passagens de fauna na rodovia, com o objetivo de reduzir os casos de atropelamento dos animais.

Curiosidades sobre a espécie

Para saber mais sobre a espécie, o g1 conversou com o biólogo Thiago Godoi, que é especialista em manejo e preservação de fauna silvestre e exótica. O especialista aponta que o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) é um dos primatas mais raros do mundo e é a espécie símbolo de São Paulo. "Ele é endêmico da Mata Atlântica do interior de São Paulo. Ele foi considerado extinto por 65 anos até sua redescoberta em 1970. Vivem exclusivamente em fragmentos da mata, entre os rios Tietê e Paranapanema", aponta.

Entre as características que mais chamam a atenção no animal silvestre está a pelagem predominantemente negra, com manchas em tons alaranjados na região da cauda e das coxas. Segundo o biólogo, trata-se de uma espécie de pequeno porte, que mede, em média, 30 centímetros de corpo e 40 centímetros de cauda, pesando menos de um quilo.

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O biólogo destaca que uma das principais ameaças ao mico-leão-preto é a perda de habitat causada pelo desmatamento. Ele também explica que o principal refúgio da espécie fica em Teodoro Sampaio (SP), mais precisamente no Parque Estadual do Morro do Diabo, que abriga a maior população livre da espécie no mundo, com cerca de 1.300 indivíduos monitorados. Thiago acrescenta ainda que o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) desenvolve ações de reflorestamento e criação de corredores florestais, com o objetivo de conectar populações isoladas. A espécie, inclusive, tem uma data dedicada à sua preservação: 28 de fevereiro.