Filme 'Michael' sobre Jackson é criticado como desastre, mas promete sucesso nas bilheterias
Filme 'Michael' sobre Jackson é desastre, mas promete sucesso

Filme 'Michael' sobre Jackson é alvo de duras críticas, mas projeta grande sucesso comercial

Para calibrar um polígrafo, conhecido popularmente como detector de mentiras, é essencial realizar perguntas óbvias com respostas de veracidade indiscutível. Se Michael Jackson estivesse conectado a tal aparelho, perguntas como "Seu nome completo é Michael Joseph Jackson?" ou "Você nasceu em 29 de agosto de 1958?" seriam adequadas. No entanto, segundo a cinebiografia Michael, lançada nos cinemas brasileiros a partir desta terça-feira, 21 de abril de 2026, uma pergunta como "Você tem uma irmã chamada Janet Jackson?" receberia uma resposta negativa, revelando uma das múltiplas omissões presentes na trama.

Narrativa sacarina e superficial ignora capítulos polêmicos da trajetória

O longa-metragem, produzido pelo espólio do cantor e supervisionado por seis de seus nove irmãos, acompanha exclusivamente a infância e a ascensão de Michael Jackson até o ano de 1987, quando ele se preparava para a turnê mundial do álbum Bad. Dessa forma, a produção deliberadamente ignora os escândalos mais marcantes de sua carreira, incluindo as graves acusações de abuso sexual de menores que marcaram sua vida pública.

Na tela, Michael é retratado como uma figura unidimensional, passiva e ingênua, sem capacidade de impor suas vontades. Seus únicos interesses apresentados são a Terra do Nunca, brinquedos infantis e animais, sem qualquer exploração sobre a inspiração por trás de seus maiores sucessos ou seu processo criativo como um todo.

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Conflitos limitados e atuação questionável comprometem a profundidade

Apenas dois conflitos são minimamente explorados no filme:

  • A relação complicada com seu pai, Joseph Jackson, interpretado por Colman Domingo, que o agenciou de maneira impiedosa entre 1964 e 1979.
  • A queimadura acidental que atingiu seu couro cabeludo durante as gravações de um comercial.

Fora desses momentos, a narrativa se arrasta em um vazio dramático, preenchendo minutos necessários para a duração de um longa-metragem sem desenvolver uma trama estruturada ou impressionar visualmente. Enquanto um filme típico conta com três atos bem definidos, Michael chega a um final brusco após, no máximo, dois atos.

No papel principal, Jaafar Jackson, sobrinho do Rei do Pop, atua como uma estátua de cera que ganhou vida, mas não desenvolveu a habilidade de expressar emoções de forma convincente. Embora seus passos de dança sejam precisos e existam lampejos de carisma, assumir o papel de uma figura tão icônica e amplamente imitada é um desafio hercúleo. A linha entre caricatura e representação genuína nunca é claramente traçada, faltando momentos que humanizem Michael Jackson além da posição de vítima ou da persona já conhecida pelo público.

Estratégia comercial e planejamento de sequências focam no escapismo

Nesse contexto, Michael se configura como um produto de escapismo cuidadosamente planejado para os fãs mais devotos do astro, o que explica suas projeções de grande sucesso nas bilheterias. O plano, conforme revelado no final do longa, é continuar a história com outros filmes sobre sua vida, mas é quase impossível que sua família, que lucra dezenas de milhões de dólares anualmente com seu espólio, o mais rentável da história, queira abordar assuntos espinhosos ou verdadeiramente interessantes.

Segundo apurações da revista Variety, os próximos recortes podem explorar os bastidores dos álbuns Dangerous (1991) e Invincible (2001), ou a construção do Rancho Neverland, onde Michael viveu entre 1988 e 2005. Enquanto essas forem as únicas opções em vista, muitos espectadores podem preferir acessar plataformas como o YouTube e maratonar os videoclipes clássicos do cantor, que oferecem uma experiência mais autêntica e envolvente.

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