Filhote de macaco-prego resgatado após morte da mãe encontra amigo e retorna à natureza em Mato Grosso
Um filhote de macaco-prego, que foi resgatado em janeiro deste ano ainda agarrado ao corpo da mãe morta, conseguiu um final feliz após ser reinserido na natureza na última quinta-feira, dia 19, em Sorriso, Mato Grosso. O animal passou por um período de 43 dias sob cuidados veterinários intensivos, superando o trauma inicial e encontrando um novo companheiro durante o processo de recuperação.
Resgate emocionante e início da recuperação
O resgate ocorreu em uma área urbana do município de Alta Floresta, onde a mãe do filhote faleceu após ser atropelada. Na época, o pequeno macaco foi encontrado abraçado ao corpo da progenitora, demonstrando um vínculo profundo que comoveu os responsáveis pelo salvamento. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) assumiu a responsabilidade pelo caso, garantindo que o filhote recebesse toda a atenção necessária para se recuperar física e emocionalmente.
Durante o período de internação, o filhote permaneceu na mesma clínica veterinária onde outro macaco da mesma espécie, resgatado em Colíder, também estava sendo tratado. Essa coincidência permitiu que os dois animais fossem aproximados, criando uma amizade que se mostrou fundamental para o bem-estar de ambos. A aproximação foi conduzida de forma cuidadosa e gradual, resultando em uma interação positiva que ajudou a amenizar o estresse causado pela perda da mãe.
Processo de adaptação e soltura bem-sucedida
A médica-veterinária Lilian Medeiros, responsável pelo tratamento, explicou que o processo de adaptação foi meticulosamente planejado. "Promovemos uma fase de adaptação alimentar e monitoramento constante nos primeiros dias após a alta médica", afirmou a profissional. Após receberem alta, os dois filhotes foram encaminhados para uma área de soltura especialmente preparada, com infraestrutura adequada para garantir segurança e favorecer o desenvolvimento natural dos animais.
Pouco tempo após a transferência, os macacos já demonstravam sinais de adaptação ao novo ambiente. Conforme informações da Sema, eles foram bem aceitos pelo bando de macacos-pregos que vive na região, o que é um indicativo positivo para a reintegração social e sobrevivência a longo prazo. A soltura conjunta dos dois filhotes reforçou os laços formados durante a recuperação, aumentando as chances de sucesso na vida selvagem.
Importância do trabalho de resgate e reabilitação
Este caso destaca a importância dos esforços de resgate e reabilitação de animais silvestres vítimas de acidentes urbanos. A ação coordenada entre a Sema e profissionais veterinários mostra como é possível transformar uma situação trágica em uma história de esperança e renovação. A amizade entre os dois filhotes serviu como um apoio emocional crucial, demonstrando que a socialização entre animais da mesma espécie pode acelerar o processo de cura e preparação para a vida na natureza.
Além disso, a reinserção bem-sucedida em Sorriso reforça a necessidade de áreas protegidas e monitoradas para a soltura de animais reabilitados. "O monitoramento constante nos primeiros dias foi essencial para assegurar que os filhotes se adaptassem sem problemas", complementou Lilian Medeiros, enfatizando a dedicação da equipe envolvida.
Com essa história, fica claro que, mesmo diante da perda e do sofrimento, a resiliência da natureza e o trabalho humano podem criar novos começos. O filhote de macaco-prego, que um dia esteve agarrado à mãe morta, agora tem a chance de crescer e prosperar ao lado de um amigo, em seu habitat natural.