Secretário de Segurança defende PMs que espancaram cadete do Exército no Carnaval de SP
Secretário defende PMs que espancaram cadete no Carnaval de SP

Secretário de Segurança Pública de São Paulo defende ação de PMs em caso de agressão a cadete do Exército durante Carnaval

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, causou polêmica ao defender a conduta de policiais militares flagrados espancando um folião durante as festividades carnavalescas no Parque Ibirapuera. Em declaração à imprensa, Nico afirmou que os agentes utilizaram "força moderada" para conter o homem, identificado como cadete do Exército e suspeito de importunação sexual durante megabloco realizado na terça-feira (17).

Cenas chocantes de violência policial capturadas em vídeo

Um vídeo obtido pelo portal g1 mostra imagens perturbadoras da abordagem policial. Nas gravações, é possível observar um grupo de policiais militares cercando e agredindo violentamente o suspeito. A cena mais impactante exibe um agente aplicando uma técnica de estrangulamento conhecida como mata-leão até que o homem perde a consciência, enquanto outros PMs seguram seus braços e pernas e desferem golpes com cassetetes na região abdominal.

"Ele assediou uma pessoa e estava muito revoltado, muito nervoso e precisou ser contido. Na hora, precisou usar força moderada para conduzir, porque ele não tinha identificação e estava muito agressivo", justificou o secretário Nico durante entrevista concedida à TV Globo.

Contexto da abordagem e alegações das autoridades

A abordagem ocorreu próximo a uma torre de vigilância na Avenida Pedro Álvares Cabral, no entorno do circuito de blocos de rua do Ibirapuera. O início das gravações mostra o homem com as mãos para trás, encostado contra um gradil, sendo abordado por três policiais. Após a câmera mudar de ângulo brevemente, as imagens retornam mostrando um PM desferindo socos no rosto do rapaz, dando início à sequência de agressões.

Segundo apuração da TV Globo, o suspeito teria mandado beijos para uma policial e, conforme registrado em boletim de ocorrência, estaria importunando outras mulheres presentes no evento carnavalesco. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) emitiu nota informando que, ao ser abordado, o homem ofendeu verbalmente os policiais, recusou-se a apresentar documento de identificação e investiu fisicamente contra a equipe.

"Técnicas de contenção e algemas foram utilizadas para resguardar a integridade da equipe e do próprio abordado", declarou a pasta em comunicado oficial.

Detalhes do caso e situação do suspeito

O homem foi preso em flagrante delito e encaminhado ao 8º Batalhão de Polícia do Exército, onde permanece sob custódia. De acordo com boletim de ocorrência obtido pelo g1, uma vítima compareceu à delegacia e relatou que o suspeito a importunou sexualmente durante o bloco carnavalesco, puxando-a pelo braço e apalpando seus seios. Conforme o relato, amigos da vítima afastaram o agressor, mas ele teria continuado assediando outras mulheres no local.

Em seu depoimento, o suspeito declarou que consumiu bebida alcoólica e não se recorda dos acontecimentos. O documento policial também registra que ele "não relatou qualquer irregularidade em relação à conduta dos policiais" durante a abordagem.

Reações institucionais e investigações em andamento

O Comando Militar do Sudeste emitiu nota informando que a conduta do cadete será apurada através de processo administrativo. "Este Comando não compactua com desvios de conduta e da ética militar, devendo adotar as medidas disciplinares cabíveis", afirmou a instituição em comunicado oficial.

A Secretaria da Segurança Pública não respondeu se a conduta dos policiais militares envolvidos no episódio será investigada. O caso ocorreu durante um carnaval que registrou 50 prisões em São Paulo e outras cenas de violência policial, levantando debates sobre os limites do uso da força por agentes de segurança em eventos de grande porte.

A polêmica em torno das declarações do secretário Nico Gonçalves e as imagens violentas da abordagem continuam gerando repercussão, com questionamentos sobre protocolos de atuação policial e a proporcionalidade das ações em situações de conflito durante festividades públicas.