4 PMs réus por furto de celular em megaoperação que deixou 120 mortos no Rio
PMs réus por furto em megaoperação no Rio em 2025

Quatro policiais militares do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de roubo qualificado, violação de domicílio qualificada e constrangimento ilegal. As acusações partem de um episódio ocorrido durante a megaoperação que resultou em mais de 120 mortes no Rio de Janeiro, em outubro de 2025.

Imagens de câmera corporal embasam denúncia

De acordo com o processo, a ação dos agentes foi flagrada pelas lentes de uma câmera corporal. As imagens, descritas nos autos e acessadas pela reportagem, mostram a sequência dos fatos. No dia 28 de outubro de 2025, por volta das 8h16, os quatro PMs entraram em uma residência na Vila Cruzeiro, na Penha. O cadeado do portão foi arrombado com um alicate por outro agente ainda não identificado.

Os militares permaneceram no local por alguns minutos. Entre 8h20 e 8h49, eles invadiram a casa vizinha, onde havia uma pessoa. Segundo a denúncia, essa pessoa foi constrangida com o uso de arma de fogo pelos policiais, que vasculharam a residência sem autorização. "Após violarem o domicílio da vítima, os denunciados cercearam sua liberdade de ir e vir determinando que permanecesse em um cômodo específico e não saísse", descreve o texto.

Foi nesse contexto que o 2° sargento Vilson dos Santos Martins furtou um celular que estava conectado a um carregador sobre o braço de um sofá. O ato foi integralmente registrado pela câmera acoplada ao uniforme do próprio agente.

Situação processual dos acusados

A denúncia foi recebida pelo juízo da Auditoria da Justiça Militar em dezembro de 2025. Vilson dos Santos Martins foi preso preventivamente e, conforme a Secretaria de Estado de Polícia Militar, ele está custodiado na Unidade Prisional da Corporação, além de responder a um processo administrativo.

Os outros três acusados – os 2° sargentos Diogo da Silva Souza e Renato Vinícius Maia, e o 3° sargento Eduardo Oliveira Coutinho – também são investigados pelo mesmo crime. No entanto, a Justiça optou por impor medidas cautelares, que incluem:

  • Afastamento da corporação
  • Suspensão do porte de arma
  • Proibição de deixar o país
  • Proibição de contato com os demais acusados

O Ministério Público sustenta que Maia, Souza e Coutinho contribuíram para o crime, ajustando-o previamente e garantindo, com sua presença, superioridade numérica para a consumação do furto.

Acusados já respondem por outros crimes

O caso do celular não é o único envolvendo esses policiais. Dois deles, Diogo da Silva Souza e Eduardo Oliveira Coutinho, já estavam presos por conta de outro processo relacionado ao desvio de fuzis e furto de peças de carro durante a mesma megaoperação. Essa investigação também partiu de imagens de câmeras corporais.

Além disso, o Ministério Público acusa os quatro PMs, junto a outros dois policiais, de se apropriarem indevidamente de um fuzil AK-47 deixado no chão por criminosos em fuga. A arma foi avaliada em valor superior a vinte salários mínimos, cerca de R$ 30 mil na época. A denúncia aponta que não é possível ver o destino dado ao armamento porque Martins obstruiu a lente de sua câmera corporal no momento crucial.

Posicionamento da Polícia Militar

Em nota oficial, o comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro se manifestou sobre o caso. A corporação reiterou que não compactua com desvios de conduta ou crimes praticados por seus integrantes, prometendo punir com rigor os envolvidos quando os fatos forem devidamente constatados. A defesa dos acusados não foi localizada pela reportagem para se manifestar.