PM pede para 'ligar a COP' antes de parceiro chutar rosto de mulher em São Vicente
Um novo vídeo, obtido pelo g1, revela um diálogo preocupante entre policiais militares durante uma abordagem violenta em um prédio de São Vicente, no litoral de São Paulo. Nas imagens, a policial militar parceira de Danilo de Oliveira Moura – agente já afastado após ser filmado chutando o rosto de uma mulher – é ouvida dizendo claramente: "Liga essa COP aí", referindo-se à câmera operacional portátil. O pedido ocorreu momentos antes do colega desferir o chute contra a moradora, que estava no chão.
Inquérito instaurado e análise das imagens
A Polícia Militar confirmou a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar todos os aspectos deste caso grave. Em nota oficial, a corporação afirmou que "as imagens registradas pelas câmeras operacionais portáteis (COPs) dos policiais estão sendo analisadas". A instituição ainda ressaltou que repudia excessos e desvios de conduta, garantindo que, constatada qualquer irregularidade, os responsáveis serão devidamente punidos conforme a legislação.
Testemunha relata sequência de violência
Uma testemunha que presenciou os fatos, mas preferiu não se identificar, descreveu com detalhes a sequência de eventos que culminou na agressão. Segundo seu relato, os policiais chegaram ao local após serem acionados por reclamações de barulho e levaram a mulher para a área da garagem. Quando a moradora tentou retornar à recepção, foi impedida pelo agente e reagiu com um tapa.
"Foi tão rápido que a gente nem sabe se pegou no pescoço, no rosto ou se ele desviou", contou a testemunha. "Eu sei que foi tão rápido que ele puxou o pescoço para trás e, em seguida, deu um soco em que ela caiu no chão desacordada".
Foi após esse primeiro impacto que a testemunha começou a gravar a cena, capturando o momento em que a policial pede para o parceiro ligar as câmeras corporais. "A câmera estava desligada. No vídeo, mostra ela [policial] falando: 'liga a COP, liga as COPs'. Faz até o barulho das câmeras acionando", afirmou.
Versão da vítima e contexto médico
Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, a mulher de 30 anos agredida revelou aspectos importantes sobre sua situação. Ela confirmou que tentou dar um tapa no policial durante a abordagem, mas não conseguiu atingi-lo efetivamente. A moradora explicou que faz acompanhamento médico para tratamento de questões de saúde mental e estava sem tomar medicamento controlado há aproximadamente um mês.
"Me deixou um pouco exaltada e também estava em surto por falta de medicação", declarou. "Se não tivesse sido agredida daquele jeito, não teria desacatado em nenhum momento o policial. Foi tudo para me defender daquela situação onde eu estava sozinha, não estava oferecendo perigo para ninguém".
Posicionamento do condomínio
O Condomínio Edifício Santa Sophia, por meio de nota assinada pelo advogado Marcelo Furlan da Silva, apresentou sua versão dos fatos. Segundo o comunicado, moradores reclamaram sobre barulhos no apartamento da mulher durante três dias consecutivos. Quando o porteiro entrou em contato com ela, a moradora teria reagido com gritos e palavras de baixo calão.
O condomínio alegou ainda que a mulher "dirigiu-se ao hall do edifício, onde, em estado de descontrole, tentou agredir o porteiro e arremessar contra ele um vaso de vidro". Diante da gravidade da situação, o porteiro acionou a Polícia Militar para garantir a segurança no local.
Com a chegada da guarnição, segundo o condomínio, a moradora manteve comportamento hostil e partiu para cima de um dos policiais, agredindo-o com um tapa no rosto. O policial teria reagido à agressão e, com a mulher já no chão, ela tentou agarrar as pernas de uma policial feminina que estava ao lado. Nesse exato momento, ocorreu o chute na moradora por parte do policial militar.
O condomínio finalizou afirmando que está apurando internamente a dinâmica completa dos acontecimentos e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações em andamento.
Análise da Secretaria de Segurança Pública
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou, através de nota oficial, que as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos no caso estão sendo minuciosamente analisadas pelos órgãos competentes. A análise técnica busca reconstituir com precisão a sequência de eventos e determinar possíveis responsabilidades.



