Mulher trans é baleada após pegar arma que PM deixou cair durante abordagem em MS
Mulher trans baleada após pegar arma de PM em abordagem em MS

Mulher trans é baleada fatalmente após confusão com policiais militares em Campo Grande

O corpo de Gabriella dos Santos, mulher trans de 27 anos, será sepultado nesta quarta-feira (18), às 9 horas, no cemitério municipal de Terenos, em Mato Grosso do Sul. A vítima faleceu após ser baleada durante uma abordagem policial ocorrida na tarde de segunda-feira (16), no centro de Campo Grande, em um episódio registrado por câmeras de segurança que gerou comoção e pedidos de apuração.

Confusão registrada em vídeo mostra momento crítico

As imagens de segurança, capturadas no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua 15 de Novembro, revelam a sequência de eventos que culminou na tragédia. Policiais militares realizavam abordagem a pessoas em situação de rua quando, segundo relatos, Gabriella teria oferecido resistência. O vídeo mostra um policial chutando a mulher, que revida, e em seguida, um revólver cai no chão durante a confusão.

No momento crucial, Gabriella pega a arma que havia caído e aponta em direção ao militar. Imediatamente, outro policial presente no local efetua disparos contra ela. Após ser atingida, a vítima foi imobilizada no local e posteriormente socorrida pelo Corpo de Bombeiros, sendo encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, onde não resistiu aos ferimentos.

Versões divergentes e investigação em andamento

Em depoimento, o policial que efetuou os disparos afirmou ter atirado três vezes. Contudo, o irmão de Gabriella relatou que a vítima foi atingida por quatro tiros, indicando uma divergência nas narrativas que deverá ser esclarecida pelas investigações.

A Polícia Militar emitiu uma nota na terça-feira (17) informando que "os procedimentos operacionais padrão foram seguidos e um inquérito será aberto". A corporação acrescentou que não se pronunciará novamente até a conclusão das apurações, mantendo uma postura reservada diante do caso que mobiliza a sociedade.

Repercussão e contexto social da vítima

A Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul manifestou profundo pesar pela morte de Gabriella e cobrou uma apuração rigorosa e transparente do caso, destacando a vulnerabilidade enfrentada por pessoas trans em situações de conflito com forças de segurança.

Familiares revelaram que Gabriella vivia em situação de vulnerabilidade social e era usuária de drogas, fatores que complicavam seu cotidiano. A assistência social do município, quando questionada sobre possíveis atendimentos prévios à vítima, declarou não poder confirmar informações devido à Lei Geral de Proteção de Dados, mantendo sigilo sobre eventuais intervenções passadas.

O episódio reacende debates sobre abordagens policiais, especialmente envolvendo populações marginalizadas, e a necessidade de protocolos que priorizem a desescalada de conflitos. A comunidade aguarda ansiosamente os resultados das investigações para compreender plenamente as circunstâncias que levaram a essa fatalidade.