Família acusa Polícia Militar de executar pedreiro durante ação em baile funk na Zona Sul de São Paulo
A família de Francisco das Chagas Fontenele, pedreiro de 56 anos, acusa a Polícia Militar de São Paulo de ter matado o trabalhador com um tiro de fuzil na barriga durante uma operação em um baile funk no Jardim Macedônia, região do Capão Redondo, na Zona Sul da capital paulista. Os agentes alegam que revidaram disparos efetuados por criminosos no local, mas os parentes da vítima exigem justiça e a identificação do policial responsável.
Detalhes trágicos da ocorrência que deixou duas vítimas fatais
Francisco Fontenele foi atingido quando saía de casa para trabalhar, segundo relatos da família. Sete pessoas foram baleadas no total, com duas mortes confirmadas: além do pedreiro, Kauã Gabriel Cavalcante Lima, de 22 anos, também perdeu a vida após levar um tiro no peito. A perícia da Polícia Técnico-Científica está analisando as armas apreendidas para determinar a origem dos disparos que atingiram as vítimas.
Millena dos Santos Fontenele, filha do pedreiro, desabafou em entrevista: "Eu quero uma resposta do que aconteceu com meu pai. Eu quero o nome do meu pai limpo. Eu quero o nome do policial que matou o meu pai, porque ele assassinou o meu pai... eu quero ele preso". Durante o velório, ela acrescentou: "Eu quero que ele perca a patente dele porque o que ele fez não tem justificativa com baile nenhum. Meu pai morreu com tiro de fuzil".
Controvérsia sobre o socorro e versões conflitantes
Vídeos gravados pela família mostram momentos contraditórios: inicialmente, policiais militares aparecem cercando a vítima e impedindo que ela fosse levada para um hospital, mas posteriormente os mesmos agentes ajudam os parentes a transportar o baleado até uma viatura da PM. Francisco foi encaminhado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Bianca dos Santos Fontenele, outra filha do pedreiro, reclamou da demora no atendimento: "Meu pai era um homem incrível, solidário", afirmou, destacando as qualidades do pai. A viúva, Luciana Ferreira de Souza, casada há apenas seis meses com Francisco, expressou sua dor: "É uma dor muito grande uma pessoa morrer inocente".
Outras vítimas e alegações da Polícia Militar
Além de Francisco e Kauã, mais quatro pessoas ficaram feridas durante o tiroteio:
- Três homens com idades entre 19 e 26 anos
- Uma jovem de 23 anos que estaria na garupa da moto pilotada por Kauã
Segundo a versão policial, Kauã estava em um veículo com placa adulterada e foi o primeiro a atirar contra os agentes. Um rapaz de 25 anos, também baleado, é suspeito de ter disparado na direção dos policiais, tendo um revólver calibre 32 atribuído a ele sido apreendido para perícia.
Investigações em andamento e procedimentos legais
O caso foi registrado no 47º Distrito Policial do Capão Redondo com as seguintes tipificações:
- Resistência
- Homicídio decorrente de intervenção policial
- Tentativa de homicídio
Devido à suspeita de envolvimento de policiais militares nas mortes, a ocorrência será investigada pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que analisará as câmeras corporais dos PMs. Paralelamente, um Inquérito Policial Militar foi instaurado para verificar a conduta dos agentes durante a operação.
Despedida e homenagens ao pedreiro
Francisco Fontenele foi enterrado no Cemitério Jardim da Paz, em Embu das Artes. Durante o funeral, parentes usavam camisetas do São Paulo Futebol Clube, time pelo qual o pedreiro torcia. Ele deixa quatro filhos, a esposa e duas netas, com a família exigindo transparência nas investigações e responsabilização pelos fatos ocorridos naquela noite trágica no Capão Redondo.



