Soldado da PM é encontrada morta com tiro na cabeça em apartamento no Brás
A Polícia Civil de São Paulo realizará nesta segunda-feira (2) a reconstituição da morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central da capital paulista. O caso, ocorrido no dia 18 de fevereiro, é investigado como morte suspeita e pode ser caracterizado como feminicídio, segundo a família da vítima.
Relacionamento abusivo e controle excessivo do marido
Segundo relatos da família apresentados à polícia, Gisele vivia um relacionamento marcado por abusos psicológicos e controle excessivo por parte do marido, tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. A soldado era proibida de usar salto alto e batom, só podia vestir roupas de academia na presença dele e foi gradualmente afastada de amigos e familiares após o casamento em 2024.
"Era um relacionamento doentio, ele tinha um sentimento de posse. Ele exercia um controle absurdo na vida dela, inclusive a proibindo de ter contato com a família", afirmou o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior. A mãe da policial, Marinalva, declarou à TV Globo que a filha sofria violência psicológica diariamente e jamais tiraria a própria vida, pois tinha sonhos e planos para o futuro da filha de sete anos.
Versão do marido e contradições na investigação
Em seu depoimento, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que o casal mantinha um relacionamento conturbado e que, na manhã do crime, havia ido ao quarto da esposa para propor a separação. Segundo sua versão, após uma discussão, ele entrou no banheiro e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que interpretou como uma porta batendo. Ao sair, encontrou Gisele ferida com um tiro na cabeça.
O oficial declarou que mantinha uma arma de fogo sobre o armário do quarto onde dormia, mesma arma utilizada na morte da soldado. A família contesta veementemente a hipótese de suicídio e defende que o caso seja investigado como feminicídio, destacando que dias antes da morte, Gisele teria pedido ajuda ao pai para deixar o imóvel, afirmando não suportar mais a situação.
Investigação detalhada e perícias em andamento
A investigação é conduzida pelo 8° Distrito Policial do Brás e acompanhada pela Corregedoria da Polícia Militar. As autoridades aguardam resultados de perícias técnicas, incluindo análise detalhada da trajetória do disparo, para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte. A reconstituição marcada para segunda-feira faz parte deste trabalho minucioso de apuração.
Até o momento, o tenente-coronel não é considerado formalmente suspeito, mas a defesa da família sustenta que a policial vivia sob pressão psicológica constante e que a filha do casal, de sete anos, teria presenciado diversas discussões e situações de conflito doméstico. Parentes afirmam ainda que Gisele planejava pedir o divórcio e enfrentava resistência do companheiro.
A Polícia Civil busca esclarecer todas as contradições entre a versão do marido e os relatos da família, enquanto a sociedade acompanha com preocupação mais um caso de violência contra mulheres que envolve agentes de segurança pública.



