Homem é preso por feminicídio em São Paulo após morte de esposa com histórico de violência
Preso por feminicídio em SP após morte de esposa com violência

Homem é preso por feminicídio em São Paulo após morte de esposa com histórico de violência

Um homem de 36 anos foi preso na segunda-feira (23) em São Paulo, suspeito de cometer feminicídio contra sua esposa, identificada como Priscila Versão, de 22 anos. O caso, que chocou a comunidade local, ocorreu na zona norte da capital paulista e revela um trágico histórico de violência doméstica.

Detalhes do crime e prisão do suspeito

O suspeito, Deivit Bezerra Pereira, foi detido após levar o corpo de Priscila ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, no Parque Novo Mundo. Funcionários da unidade de saúde acionaram a Polícia Militar ao perceberem as condições do corpo, que apresentava rigidez, múltiplas escoriações, lesões no rosto, costelas, pernas e braços, além de uma queimadura recente em um dos membros superiores.

No hospital, Deivit exalava forte cheiro de combustível, estava nervoso, chorava e suas roupas estavam encharcadas de gasolina. Segundo o boletim de ocorrência, ele relatou aos policiais que havia passado a noite com Priscila em um bar, onde discutiram, e ele a deixou sozinha. Posteriormente, teria ido a um posto de combustível, comprado gasolina e despejado sobre o veículo e seu próprio corpo com intenção de suicídio, mas desistiu.

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Investigação e evidências encontradas

Deivit afirmou que, ao retornar ao bar, encontrou Priscila caída no chão, desacordada e com sangramento nasal. Ele disse tê-la colocado no carro e levado ao pronto-socorro. No entanto, os policiais militares confirmaram o forte odor de combustível dentro do veículo, diversas manchas de sangue e tufos de cabelo, indicando violência.

O carro e o celular de Deivit foram apreendidos para perícia. Durante o interrogatório, ele permaneceu em silêncio. A Polícia Civil acredita que Priscila já estava morta quando deu entrada no hospital, contradizendo a versão do suspeito.

Histórico de violência e conexão com caso anterior

A mãe de Priscila relatou à polícia que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por ciúme excessivo, controle, ameaças e agressões físicas. Ela disse ter ouvido um áudio no qual Deivit ameaçava cortar a cabeça de Priscila caso ela o denunciasse. Apesar disso, Priscila nunca registrou queixa formal.

Curiosamente, Priscila era amiga de Tainara Souza Santos, 31 anos, morta em novembro do ano passado após ser arrastada por cerca de 1 km pelo carro dirigido por Douglas Alves da Silva, com quem havia tido um relacionamento. Priscila chegou a participar de protestos contra esse atropelamento. Tainara permaneceu 25 dias internada até morrer no Hospital das Clínicas na véspera do Natal, e foi levada inicialmente ao mesmo hospital onde Priscila foi encontrada morta.

Desfecho judicial e impacto familiar

Nesta terça-feira (24), a Justiça converteu a prisão em flagrante de Deivit em preventiva, sem prazo definido. O caso foi registrado como feminicídio no 73º DP (Jaçanã). Deivit e Priscila tinham dois filhos juntos, ambos com menos de dez anos, que agora enfrentam a perda trágica da mãe.

A reportagem tentou contato com a defesa de Deivit através do número registrado na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas não obteve resposta. O caso destaca a gravidade da violência doméstica e a necessidade de medidas protetivas eficazes para prevenir tragédias como esta.

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