Novas vítimas surgem após prisão de homem por abuso da filha em Monte Alegre
Novas vítimas surgem após prisão por abuso da filha em Monte Alegre

Novas denúncias emergem após prisão de homem por abuso da própria filha em Monte Alegre

A prisão de um homem suspeito de cometer abuso sexual contra a filha em Monte Alegre desencadeou uma série de novos desdobramentos nesta sexta-feira, dia 20. Após a divulgação do caso, outras possíveis vítimas compareceram à Delegacia de Polícia Civil para relatar situações semelhantes envolvendo o mesmo indivíduo.

Detenção do suspeito e decisão judicial

O homem investigado foi preso na última terça-feira, 17, após seis dias intensos de buscas na zona rural de Monte Alegre. Ele foi localizado em uma área de mata na comunidade de Açaizal por equipes do 18º Batalhão da Polícia Militar, com apoio crucial do setor de inteligência. Após a captura, o suspeito foi apresentado na Delegacia de Polícia Civil e submetido a uma audiência de custódia, onde a Justiça decidiu manter a prisão preventiva.

De acordo com o delegado Wellington Kennedy, o investigado será encaminhado para a Central de Triagem Masculina de Santarém, permanecendo à disposição do Judiciário enquanto as investigações prosseguem. "O nacional acusado passou pela audiência de custódia, sendo mantida a prisão. Ele será transferido para Santarém. Além disso, deixamos em aberto para que eventuais vítimas que tenham notícias de fatos anteriores procurem a Delegacia de Polícia Civil", afirmou o delegado.

Mulher de 40 anos relata abuso sofrido aos 12 anos

Entre as novas denúncias registradas, destaca-se o depoimento de uma mulher, hoje com 40 anos, que decidiu procurar a polícia após tomar conhecimento da prisão do suspeito. Ela relatou ter sofrido abuso sexual quando tinha apenas 12 anos de idade.

A vítima contou que, na época, brincava em frente à sua casa quando foi abordada pelo homem e levada para um local afastado. Segundo seu relato, o episódio deixou marcas profundas que a acompanham até os dias atuais. Sem se identificar, a mulher afirmou conviver há décadas com impactos emocionais significativos. "Eu nunca consegui esquecer. É uma coisa que me machucou muito e machuca até hoje. Tenho muitos transtornos", declarou.

Ela explicou que não denunciou o ocorrido na época devido ao medo. De acordo com seu depoimento, o suspeito enviava bilhetes e fazia ameaças contra familiares, o que a levou a guardar silêncio por muitos anos. "Ele dizia que, se eu contasse para a minha família, poderia fazer mal ao meu pai e aos meus irmãos. Por esse motivo, eu não conseguia dormir. Tinha muito medo", revelou.

A mulher ainda compartilhou que só conseguiu falar sobre o caso com a família no ano passado, quando já tinha 39 anos. Antes disso, enfrentou crises de ansiedade e chegou a deixar a própria casa diversas vezes para evitar encontrar o suspeito, já que residia próximo a ele. "Minha família não entendia o que estava acontecendo comigo. Eu fugia de casa porque tinha medo de morar perto dele", disse.

Ao saber da prisão recente, ela decidiu finalmente procurar a polícia para formalizar a denúncia. Segundo a vítima, por muito tempo carregou um sentimento de culpa por não ter falado anteriormente.

Polícia Civil abre novos inquéritos e reforça apoio às vítimas

Conforme informado pelo delegado Wellington Kennedy, outras pessoas já compareceram à delegacia relatando possíveis situações envolvendo o mesmo investigado. "Algumas pessoas já compareceram relatando outras práticas. Vamos abrir novos inquéritos policiais para apurar essas condutas", declarou.

A Polícia Civil reforçou que eventuais vítimas podem procurar a delegacia para registrar ocorrência. O atendimento pode ser realizado de forma reservada, com garantia de sigilo e proteção necessária para quem busca justiça.