Morte de soldado da PM no Brás: família relata relacionamento abusivo e pede justiça
Morte de soldado da PM: família relata abusos e pede justiça

Morte de soldado da PM no Brás: família relata relacionamento abusivo e pede justiça

A morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça dentro do próprio apartamento no Brás, região central de São Paulo, na última quarta-feira (18), está sendo investigada pelas autoridades. Inicialmente registrado como suicídio, o caso teve sua natureza alterada após depoimentos da família, que revelaram um relacionamento marcado por abusos e violência psicológica.

Relato da família: uma vida de amor e opressão

Marinalva Vieira Alves Santana, mãe da vítima, descreve a filha como uma pessoa amorosa e cheia de vida. "Minha filha era muito amorosa. Só tinha amor e amava a vida", afirmou em entrevista à TV Globo. Gisele deixou uma filha de sete anos de um relacionamento anterior e vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, desde 2014. Segundo a mãe, a carreira na PM era um sonho antigo, realizado com apoio familiar em 2014, mas a vida conjugal era opressiva.

Marinalva relatou que o tenente-coronel proibia Gisele de usar batom e salto alto, além de forçá-la a esconder frascos de perfume no quartel para evitar sua percepção. "Pelos comentários dela, eu já via que não ia dar certo desde o começo. Fui dando conselhos, alertando, mas não teve jeito", lamentou a mãe. Dias antes da morte, Gisele teria ligado chorando para o pai, José Simonal Teles de Santana, pedindo ajuda para se separar: "pai, vem me buscar".

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Versão do marido e investigação policial

O tenente-coronel, que estava no imóvel no momento do disparo, relatou no boletim de ocorrência que tomava banho quando ouviu um barulho, saindo para encontrar a esposa caída no chão, com uma arma na mão e sangramento intenso. Em depoimento, ele afirmou que o relacionamento era conturbado, com discussões frequentes devido a boatos de um suposto relacionamento extraconjugal, que teriam levado o casal a dormir em quartos separados.

Segundo o oficial, na manhã do incidente, ele foi ao quarto de Gisele para propor a separação. Após uma discussão, entrou no banheiro e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que interpretou como uma porta batendo. Ao sair, encontrou a esposa ferida. Ele declarou manter uma arma de fogo sobre o armário no quarto onde dorme, que foi usada na morte de Gisele. Por enquanto, não é considerado suspeito, mas o caso é investigado pelo 8° Distrito Policial do Brás e acompanhado pela Corregedoria da PM.

Consequências e legado

Gisele foi levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. Foi enterrada na manhã de sexta-feira (20) em Mogi das Cruzes. Familiares afirmam que ela se preparava para assumir um trabalho no Tribunal de Justiça, destacando seu empenho pelo bem-estar da filha. "O sonho dela era viver e dar o melhor para a filha", disse Marinalva, reforçando o apelo por justiça e esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.

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