Mãe de vítima de atropelamento brutal cobra Justiça em ato contra feminicídio em SP
Mãe de vítima cobra Justiça em ato contra feminicídio em São Paulo

Mãe de vítima de atropelamento brutal cobra Justiça em ato contra feminicídio em SP

Em um ato emocionante contra os crescentes casos de feminicídio na capital paulista, a mãe da mulher que teve ambas as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por um veículo até a Marginal Tietê fez um apelo público por Justiça e por punições mais rigorosas contra os agressores. O protesto, realizado no domingo (1º), congregou familiares, amigos, autoridades locais e diversos movimentos de defesa dos direitos das mulheres no Parque Novo Mundo, situado na Zona Norte de São Paulo.

Local simbólico para um crime que chocou o país

O parque foi escolhido estrategicamente por ter sido o cenário do crime brutal que vitimou Tainara Souza Santos, de 31 anos, um caso que ganhou ampla repercussão nacional. A jovem faleceu após passar por múltiplas cirurgias e permanecer quase um mês internada em estado grave. "Uma jovem cheia de vida que foi tirada de mim, de um jeito que todo mundo viu, por um monstro. Isso não é um ser humano. E não só a Tainara [foi vítima]. São muitas mulheres [mortas] a facadas, queimadas, atiradas de apartamento", declarou Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara, com voz embargada pela dor.

Apelo por mudanças legislativas urgentes

Durante sua fala, Lúcia cobrou de forma veemente a criação de uma legislação mais firme e efetiva contra esse tipo de crime. "Só estou pedindo que nos ajudem a mudar essa lei, porque qualquer coisa de bom comportamento lá dentro [da cadeia], eles [os agressores] saem. Eles têm que ter bom comportamento conosco e não só lá dentro. Nenhuma mãe merece passar o que a gente passa. Estou falando em nome de todas e não só no da Tainara", afirmou a mãe, destacando a necessidade de uma resposta penal mais contundente.

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Os manifestantes depositaram flores e acenderam velas em frente a um muro onde grafiteiros haviam eternizado os nomes e os rostos das vítimas de feminicídio, criando um memorial improvisado que simboliza a luta contra a violência de gênero.

Contexto de casos recentes e chocantes

O ato ocorreu em um momento de comoção pública após uma série de casos brutais, incluindo o da jovem Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, assassinada a facadas pelo ex-namorado dentro da joalheria do shopping onde trabalhava, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Além disso, uma amiga próxima de Tainara, Priscila Versão, de 22 anos, também foi vítima de feminicídio na semana anterior, após ser espancada violentamente pelo próprio namorado.

Resposta das autoridades de segurança

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo emitiu uma nota informando que monitora de forma permanente e criteriosa os indicadores criminais relacionados a qualquer aumento nos registros de violência contra a mulher, com o objetivo de realinhar as políticas públicas de enfrentamento a esses crimes. A pasta acrescentou que, somente nos últimos três meses, mais de 2 mil homens foram presos em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais ligados a crimes contra mulheres, resultado de operações específicas focadas na violência de gênero.

Um inquérito policial instaurado pelo Departamento de Investigações sobre Crimes Contra a Pessoa (Deic) de São Bernardo do Campo está investigando minuciosamente a morte de Cibelle Monteiro. O suspeito, Cássio Henrique da Silva, encontra-se atualmente internado e teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça, aguardando os desdobramentos processuais.

O protesto no Parque Novo Mundo serviu como um poderoso lembrete da urgência em combater a epidemia de feminicídios, unindo vozes que clamam por Justiça, memória e transformação social.

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