Mãe é condenada a 10 anos por torturar recém-nascido de 20 dias em São Paulo
Mãe condenada a 10 anos por torturar bebê de 20 dias em SP

Mãe é condenada a mais de 10 anos de prisão por torturar bebê de 20 dias em São Paulo

A Justiça de São Paulo impôs uma sentença severa a uma mulher acusada de torturar seu próprio filho, um recém-nascido de apenas 20 dias de vida. A condenação foi de 10 anos e 10 meses de prisão em regime fechado, além da perda definitiva do poder familiar e da proibição de recorrer em liberdade.

Caso veio à tona após pai receber vídeos das agressões

O caso ganhou visibilidade quando o pai da criança recebeu vídeos em tempo real mostrando as agressões perpetradas pela mãe. Imediatamente, ele acionou a polícia, que se deslocou até o imóvel. Ao chegarem, os policiais militares encontraram o bebê com sinais evidentes de violência, incluindo marcas visíveis no rosto e na região da mandíbula, indicando o uso de força brutal incompatível com a fragilidade da vítima.

Segundo as investigações, o contexto das agressões estava ligado ao término do relacionamento entre os pais. A mãe utilizou o recém-nascido como objeto de vingança e chantagem emocional, infligindo dor física ao bebê e causando sofrimento psíquico ao genitor.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Juiz destaca gravidade e consistência das provas

O juiz Heitor Moreira de Oliveira, da 1ª Vara de Crimes Praticados Contra Crianças e Adolescentes do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi enfático ao analisar o processo. Ele destacou a gravidade do cenário encontrado e a consistência das provas apresentadas.

“Os policiais que participaram da ocorrência foram uníssonos em descrever com precisão o cenário de horror encontrado no apartamento”, afirmou o magistrado em sua sentença.

O juiz ressaltou que as agressões não foram ocasionais, mas parte de um comportamento contínuo e cruel. “Não se tratou de um ato isolado de impaciência, mas de um método cruel utilizado para infligir dor física ao bebê e, por via transversa, um sofrimento psíquico insuportável ao genitor, servindo o recém-nascido como mero objeto de vingança e chantagem emocional”, registrou.

Laudos médicos e vídeos comprovam violência

Os laudos médicos e os vídeos anexados ao processo foram determinantes para comprovar a violência. Eles demonstraram tapas, sacolejos violentos – que podem ser potencialmente fatais pela síndrome do bebê sacudido – e cortes no recém-nascido.

“A submissão da vítima a intenso sofrimento físico é comprovada pelos vídeos e pelo laudo médico”, concluiu o juiz. “O sofrimento mental, por sua vez, é inerente à própria brutalidade do ato e à exposição do neonato a um ambiente de terror. O dolo de torturar restou cristalizado pelo fato de a ré ter filmado as agressões e as enviado em tempo real ao pai da criança”.

Resposta do Estado deve ser proporcional à gravidade do crime

Para o magistrado, a resposta do Estado deve ser firme e proporcional à atrocidade cometida. “A resposta do Estado deve, portanto, ser firme e proporcional à atrocidade cometida contra um ser humano em seu estado mais absoluto de vulnerabilidade”, afirmou.

A defesa da mulher ainda pode recorrer da decisão, mas a sentença já estabelece um precedente importante no combate à violência contra crianças e adolescentes em São Paulo. O caso serve como um alerta sobre a necessidade de proteção aos mais vulneráveis e a importância da atuação rápida das autoridades diante de denúncias de maus-tratos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar