Justiça nega medida protetiva um dia antes de crime em Botucatu
Justiça nega medida protetiva antes de crime em Botucatu

Justiça nega medida protetiva um dia antes de crime violento em Botucatu

Um caso de violência doméstica com desfecho trágico chocou a cidade de Botucatu, no interior de São Paulo. Diego Sansalone, de 29 anos, é suspeito de matar o atual companheiro de sua ex-mulher, atirar contra a ex-companheira e sequestrar o próprio filho de oito anos. O crime ocorreu na noite de sábado (21), apenas um dia após a Justiça ter negado um pedido de medida protetiva feito pela vítima.

Medida protetiva negada na véspera do crime

A mulher, também de 29 anos, havia registrado um boletim de ocorrência e solicitado a medida protetiva após uma discussão com o ex-companheiro na porta da escola do filho, na quinta-feira (19). Na ocasião, o atual parceiro dela, Diego Felipe Corrêa da Silva, também esteve presente e houve um conflito entre os três. O pedido foi formalmente negado na sexta-feira (20), véspera do crime fatal.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), quando questionado sobre a decisão, explicou que casos de medida protetiva tramitam sob segredo de Justiça, limitando informações públicas sobre o processo.

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Detalhes do crime e prisão do suspeito

O crime ocorreu na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde. Segundo o boletim de ocorrência, Diego Felipe dirigia pelo local quando foi atingido por disparos de arma de fogo. Após ser baleado, perdeu o controle do veículo e colidiu contra um poste. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constataram sua morte no local.

No carro também estavam a ex-mulher de Sansalone e duas crianças, ambas de oito anos. A mulher foi atingida na cabeça e foi socorrida em estado grave, sendo encaminhada ao Hospital das Clínicas da Unesp. A outra criança, que não é filha do suspeito, sofreu ferimentos leves e foi atendida no pronto-socorro infantil.

Após a colisão, o suspeito parou seu veículo, desceu e retirou do carro acidentado seu próprio filho, fugindo em seguida com o menino. A Polícia Militar esteve na casa de Sansalone no bairro Recanto Azul ainda no sábado, mas não encontrou ninguém. No local, foi apreendida uma caixa de pistola calibre 9 milímetros aberta, com estojos de munição deflagrados.

Prisão e confissão

Diego Sansalone foi preso no fim da tarde de domingo (22), em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho. Segundo a polícia, não houve resistência durante a captura e o suspeito confessou o crime. A criança sequestrada passou a noite com o pai e foi levada à Polícia Civil pelo avô paterno, também no domingo.

O caso foi registrado como homicídio qualificado, tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio contra menores de 14 anos e sequestro. A Polícia Civil havia solicitado prisão temporária, que foi cumprida após a localização do suspeito.

Registro como CAC e posse de arma

De acordo com a Polícia Civil, Diego Sansalone é registrado como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), categoria que permite o registro e posse de armas de fogo para atividades específicas como tiro esportivo, coleção e caça autorizada. No entanto, o porte não é irrestrito e ele não podia portar arma na rua, já que o transporte deve ocorrer dentro das regras previstas em lei, restritas ao deslocamento para locais de prática autorizada.

A investigação continua para apurar todos os detalhes do caso, incluindo como o suspeito obteve e utilizou a arma no crime. O material apreendido na casa do suspeito foi encaminhado para perícia, que deve fornecer mais informações sobre a arma utilizada nos disparos.

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