Empresário é réu por feminicídio após simular acidente na MG-050 para encobrir crime
Empresário réu por feminicídio após simular acidente na MG-050

Empresário torna-se réu por feminicídio após tentativa de encobrir crime com acidente simulado na rodovia

A Justiça de Minas Gerais formalizou nesta sexta-feira (27) a condição de réu de Alison de Araújo Mesquita, empresário de 43 anos acusado de cometer feminicídio contra a namorada e, em seguida, forjar um acidente de trânsito na rodovia MG-050 na tentativa de ocultar o crime brutal. A decisão foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, que também manteve a prisão preventiva do acusado, detido durante o velório da vítima.

Crime ocorreu em apartamento na capital mineira

De acordo com as investigações do Ministério Público, o crime aconteceu na madrugada do dia 14 de dezembro do ano passado, dentro de um apartamento localizado no bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte. A vítima, Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, foi asfixiada pelo companheiro após manifestar o desejo de encerrar o relacionamento, que era marcado por um histórico de agressões físicas e psicológicas.

O empresário, inconformado com a decisão da mulher, teria pressionado o pescoço dela até provocar a morte por falta de ar, em um ato de violência extrema que chocou a comunidade local.

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Simulação de acidente na rodovia para encobrir o assassinato

Horas após o feminicídio, ainda pela manhã, Alison Mesquita elaborou um plano meticuloso para tentar disfarçar o crime. Ele colocou o corpo da namorada no banco do motorista do carro e assumiu a posição de passageiro, iniciando uma viagem entre Belo Horizonte e Divinópolis.

O objetivo era fazer parecer que Henay estava dirigindo o veículo quando ocorreu uma colisão fatal. Na altura do quilômetro 90 da MG-050, em Itaúna, no Centro-Oeste mineiro, o empresário provocou intencionalmente uma batida com um micro-ônibus, buscando criar a falsa narrativa de que a morte havia acontecido em decorrência do acidente de trânsito.

Vídeo de câmera de segurança foi crucial para desvendar o caso

A investigação ganhou um rumo decisivo quando as autoridades tiveram acesso às imagens de uma câmera de segurança instalada em uma praça de pedágio ao longo da rodovia. As gravações mostraram a vítima inconsciente e imóvel no banco do motorista, enquanto o suspeito aparecia controlando o volante do lado do passageiro, evidenciando a farsa montada para encobrir o assassinato.

Esse material visual foi fundamental para que a polícia desmontasse a versão inicial do acidente e concluísse que se tratava de um feminicídio seguido de fraude processual.

Denúncia inclui qualificadoras graves e confissão do acusado

A Justiça recebeu a denúncia formal por feminicídio, com as qualificadoras de violência doméstica e familiar, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de fraude processual. O Ministério Público destacou que a conduta do réu revelou "extrema objetificação da mulher" e um "acentuado grau de misoginia", elementos que agravaram a natureza do delito.

Um dia após a prisão, o advogado de defesa do empresário confirmou que seu cliente confessou à polícia ter assassinado a namorada e simulado a colisão na rodovia na tentativa de acobertar o crime hediondo. A defesa do réu foi procurada para comentar o caso, mas não se manifestou até o momento.

Contexto do relacionamento conturbado e repercussões jurídicas

O casal mantinha um relacionamento marcado por conflitos e episódios de violência, conforme apurado nas investigações. A decisão de Henay de romper o vínculo teria desencadeado a reação fatal do companheiro, culminando no trágico desfecho que agora será julgado pelo Tribunal do Júri.

Com a aceitação da denúncia e a manutenção da prisão preventiva, o caso avança para a fase de instrução processual, onde serão apresentadas as provas e os argumentos de acusação e defesa. A sociedade aguarda ansiosamente por justiça para a vítima e por um veredito que possa refletir a gravidade dos crimes cometidos.

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