Polícia Civil de Minas conclui investigação e detalha feminicídio de Henay Amorim
A Polícia Civil de Minas Gerais finalizou as investigações sobre a morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, confirmando que se trata de um caso de feminicídio cometido pelo companheiro, Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos. O crime, ocorrido em dezembro, envolveu uma tentativa elaborada de simular um acidente de trânsito na MG-050, em Itaúna, na região Centro-Oeste do estado, com o objetivo de encobrir o assassinato.
Detalhes da investigação e cronologia do crime
De acordo com as conclusões apresentadas pela polícia nesta sexta-feira (23), Henay foi morta dentro do apartamento onde vivia com Alison, no Bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte. A perícia determinou que a vítima foi asfixiada pelo companheiro na noite de 13 de dezembro, desmontando completamente a versão inicial de que a morte teria ocorrido em um acidente rodoviário.
O investigado executou uma série de ações para tentar eliminar provas e confundir as autoridades:
- Desligou câmeras internas do apartamento após o crime.
- Tentou apagar vestígios de sangue no local.
- Pesquisou na internet termos relacionados a acidentes de trânsito e aspectos de medicina legal.
- Posicionou o corpo de Henay no banco do motorista e dirigiu o veículo sentado no banco do passageiro para simular o acidente.
Histórico de violência e tentativas de encobrimento
A investigação revelou que o casal mantinha um relacionamento conturbado e violento, com registros de agressões anteriores. Imagens recuperadas pela perícia mostram que, meses antes do feminicídio, Alison já havia agredido Henay dentro do apartamento, inclusive com socos. Em um desses episódios, a vítima chegou a filmar o companheiro, que tentou retirar o cartão de memória da câmera para apagar as provas.
Para a polícia, esses elementos demonstram premeditação e planejamento por parte do acusado. A tentativa de simular o acidente na rodovia foi meticulosamente orquestrada, mas falhou devido a inconsistências observadas pelas autoridades.
Cronologia detalhada dos eventos
A polícia divulgou uma linha do tempo precisa que reconstitui os momentos-chave do crime:
- 13 de dezembro, 20h44: Câmeras do condomínio registraram o último momento de Henay com vida, quando ela acenou para amigos.
- 14 de dezembro, 4h49: Monitoramento mostrou Alison arrastando o corpo da vítima até o carro.
- 5h10: O investigado deixou o prédio dirigindo do banco do passageiro, com Henay imóvel no banco do motorista.
- 5h56: O veículo passou pelo pedágio na MG-050, onde câmeras capturaram a cena atípica.
- 6h15: Alison provocou intencionalmente uma colisão com um micro-ônibus.
Prisão e indiciamentos
Alison foi preso em flagrante no dia 15 de dezembro, durante o velório de Henay em Divinópolis. A polícia constatou que ele apresentava arranhões nos braços, indicativos de que a vítima tentou se defender durante a agressão. O acusado foi indiciado por feminicídio qualificado, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e fraude processual pela simulação do acidente e adulteração da cena do crime.
Os laudos periciais confirmaram que Henay já estava morta antes da colisão, com sinais claros de asfixia, eliminando qualquer dúvida sobre a natureza criminosa de sua morte. A investigação serviu para destacar a gravidade da violência doméstica e a importância do trabalho policial minucioso em casos complexos como este.