Pentágono revela nova Estratégia de Defesa Nacional com mudanças significativas
A Estratégia de Defesa Nacional 2026, documento não classificado divulgado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, representa uma mudança substancial na política militar norte-americana. O texto, publicado após uma semana de tensões sem precedentes entre Washington e seus aliados da OTAN sobre a Groenlândia, estabelece dois pilares principais: maior responsabilidade dos aliados pela própria defesa e um tom mais moderado em relação aos adversários tradicionais, especialmente China e Rússia.
Aliados assumem papel central na defesa regional
Os assessores do secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmam no documento que as forças americanas se concentrarão na defesa do território nacional e da região do Indo-Pacífico. Enquanto isso, os aliados e parceiros passarão a ter responsabilidade primária por sua própria segurança, recebendo apoio essencial, porém mais limitado, dos Estados Unidos. Esta abordagem marca uma ruptura clara com a estratégia anterior, que mantinha um envolvimento militar americano mais direto em diversas regiões.
Crítica à administração anterior e cenário de segurança
O documento inicia com uma avaliação crítica da estratégia de defesa do governo Biden, sustentando que o presidente Donald Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025 em um dos cenários de segurança mais perigosos da história do país. Segundo o Pentágono, as fronteiras dos Estados Unidos foram invadidas, narcoterroristas e outros inimigos se tornaram mais poderosos em todo o hemisfério ocidental, e o acesso americano a territórios estratégicos, como o Canal do Panamá e a Groenlândia, estava cada vez mais comprometido.
Mudança de tom em relação a China e Rússia
Enquanto a estratégia anterior descrevia a China como o maior desafio para Washington e classificava a Rússia como uma ameaça grave, o novo documento defende relações respeitosas com Pequim e não faz qualquer menção a Taiwan, aliado dos Estados Unidos que a China reivindica como seu território. A ameaça russa é descrita como persistente, mas controlável, afetando diversos membros da OTAN. Esta mudança de linguagem reflete uma abordagem diplomática mais moderada, embora mantendo posições firmes.
América Latina no topo das prioridades estratégicas
O documento coloca a América Latina como prioridade máxima, afirmando que os Estados Unidos restabelecerão o domínio militar no continente americano. Esta posição é reforçada pela referência ao Corolário Trump à Doutrina Monroe, indicando que as Forças Armadas estão prontas para aplicar esta política com rapidez e precisão. O texto menciona especificamente a Operação ABSOLUTE RESOLVE, que resultou na retirada do presidente venezuelano Nicolás Maduro para ser levado a julgamento em Nova York.
Proteção de fronteiras e territórios estratégicos
O Pentágono priorizará esforços para fechar as fronteiras, repelir invasões e expulsar estrangeiros em situação irregular. Além disso, o documento demonstra determinação em assegurar o acesso militar e comercial dos EUA a territórios estratégicos, especialmente:
- Canal do Panamá
- Golfo da América
- Groenlândia
Será implementada a defesa aérea através do Golden Dome for America e um foco renovado no combate a ameaças aéreas não tripuladas.
Relação com China: equilíbrio entre diálogo e força
O documento assegura que o presidente Trump busca uma paz estável, comércio justo e relações respeitosas com a China, demonstrando disposição para dialogar diretamente com o presidente Xi Jinping. No entanto, o texto ressalta a importância de negociar a partir de uma posição de força, com o objetivo de impedir que qualquer país, inclusive a China, domine os Estados Unidos ou seus aliados.
Estratégia no Indo-Pacífico e dissuasão
Para alcançar um equilíbrio de poder na região do Indo-Pacífico, o Pentágono planeja erguer uma forte defesa de dissuasão ao longo da Primeira Cadeia de Ilhas - linha estratégica de arquipélagos no Pacífico Ocidental que se estende do Japão até a Indonésia. Além disso, o documento incentiva e capacita os principais aliados e parceiros regionais a fazerem mais pela defesa coletiva, reforçando a dissuasão para que todas as nações reconheçam que seus interesses são melhor atendidos através da paz e da contenção.