Criança de 3 anos morta em Ribeirão Preto apresentava hematomas e desnutrição, segundo investigações
A menina Sophia Emanuelly dos Santos, de apenas 3 anos, foi levada morta pelo avô a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ribeirão Preto, São Paulo. O delegado seccional Sebastião Vicente Picinato revelou que a criança tinha hematomas em diversas partes do corpo, com colorações variadas, além de sinais claros de desnutrição e perda capilar.
Indícios de maus-tratos recorrentes
Para o delegado responsável pelas investigações, essas condições indicam que Sophia vinha sendo vítima de maus-tratos de forma recorrente sob os cuidados do avô, José dos Santos, de 42 anos, e da companheira dele, Karen Tamires Marques, de 33 anos. Ambos foram presos sob suspeita de praticarem tortura contra a criança.
"Desse hematoma é fácil você concluir que vinha sendo praticado há algum tempo, porque ela sai da coloração vermelha, roxa, verde e amarela até desaparecer. E nós tínhamos no corpo da criança várias colorações", afirmou Picinato.
O delegado explicou que a perícia deve confirmar mais detalhes sobre a gravidade das lesões e há quanto tempo elas ocorriam, mas não há dúvidas de que não foram incidentes isolados.
Quadro de desnutrição e omissão do avô
"Ela tinha um quadro severo de desnutrição, com perda capilar. Então, indicava que essa criança vinha sofrendo de forma bastante agonizante há algum tempo. E isso revela também uma omissão extremamente relevante do avô, quem tinha o dever de cuidado", disse o delegado.
Sophia foi levada pelo avô para a UPA da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17). O pediatra de plantão constatou que a criança já chegou morta e acionou a polícia. José dos Santos alegou que a neta estava passando mal e vomitou durante o trajeto, versão contestada pelas autoridades.
"Ele faltou com a verdade em dizer que a criança havia vomitado, ou seja, quis criar uma situação para espiar a culpa, mas, na verdade, reforça mais a ideia de que ele é coautor", afirmou Picinato.
Prisões e confissões
José e Karen foram presos em flagrante na quarta-feira (18) e, no mesmo dia, passaram por audiência de custódia, onde a prisão preventiva foi decretada. Karen confessou que não gostava da menina e a esganou porque ela não queria comer, reforçando a suspeita de que causou a morte. O avô é considerado coautor por permitir a situação.
A Polícia Civil avalia se os acusados responderão por tortura e homicídio ou por tortura que resultou em morte, conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos.
"Uma violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos, é uma agressão à sociedade. (...) É uma coisa que entristece muito, revela um lado muito ruim do ser humano", concluiu o delegado.
Em nota, a Defensoria Pública, que atua na defesa de Karen, informou que a indiciada foi acompanhada na audiência de custódia, os autos foram analisados e os pedidos pertinentes foram feitos. A defesa de José dos Santos não foi localizada até a última atualização.