Tragédia em Ribeirão Preto: Menina de 3 anos torturada e morta
O corpo de Sophia Emanuelly de Souza, uma menina de apenas 3 anos que foi torturada e morta, ainda permanece no Instituto Médico Legal (IML) de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A trágica morte ocorreu na terça-feira (17), e os detalhes do caso revelam uma história de violência extrema contra uma criança indefesa.
Família materna em estado de choque
A mãe e a avó materna de Sophia não tinham conhecimento de que a menina sofria maus-tratos e era torturada. Segundo a delegada Michela Ragazzi, que conversou com a EPTV (afiliada da TV Globo), as duas mulheres, que residem em Itapetininga (SP), precisaram de intervenção do poder público municipal para viajar até Ribeirão Preto para reconhecimento e liberação do corpo.
"Nós conseguimos na sexta-feira este contato. A família não tinha conhecimento que a criança tinha falecido, foi um choque e uma tristeza muito grande", relatou a delegada. "São pessoas humildes que precisaram da intervenção do poder público municipal de Itapetininga para trazê-las até aqui e hoje [segunda-feira] o corpo foi reconhecido e liberado."
Suspeitos presos preventivamente
O avô da criança, José dos Santos, de 42 anos, e sua companheira, Karen Tamires Marques, de 33 anos, estão presos preventivamente por suspeita de envolvimento no crime. Eles são investigados por homicídio triplamente qualificado e residiam com a menina no Parque São Sebastião, zona Leste de Ribeirão Preto.
Karen confessou à polícia que não gostava da menina e que a esganou porque ela não queria comer. Já José é suspeito de ser coautor do crime por permitir que a situação de violência ocorresse. O delegado seccional Sebastião Vicente Picinato destacou que José "faltou com a verdade" ao afirmar que a neta havia vomitado durante o trajeto para a UPA, tentando assim criar uma situação para espiar sua culpa.
Laudo do IML confirma violência prolongada
O laudo do IML, emitido na sexta-feira (20), apontou que Sophia morreu por asfixia mecânica por estrangulamento. O documento revela ainda que a menina era vítima frequente de maus-tratos, apresentando hematomas de diferentes colorações, o que indica agressões em diversos momentos ao longo dos últimos anos.
O delegado Picinato enfatizou a gravidade do caso: "Uma violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos, é uma agressão à sociedade. É uma coisa que entristece muito, revela um lado muito ruim do ser humano."
Investigações em andamento
A polícia ainda deve ouvir vizinhos do apartamento onde ocorreram os fatos e realizar a perícia do imóvel. O inquérito deve ser concluído até o fim desta semana, com a juntada de diversos documentos e relatórios do Conselho Tutelar de Itapetininga.
A delegada Michela Ragazzi explicou: "Nós trabalhamos com a oitiva de testemunhas, de moradores do local onde os fatos aconteceram. Trabalhamos com vestígios do delito, estamos na fase da perícia do imóvel. Trabalhamos também com a juntada de diversos documentos e relatórios do Conselho Tutelar de Itapetininga. Queremos entender até que ponto a invisibilidade da Sophia gerou o falecimento dela."
Defesa dos acusados
O advogado de defesa de José afirmou que seu cliente é inocente e que vai recorrer da decisão da Justiça de mantê-lo preso preventivamente. José tinha a guarda da neta desde 2024. Já a Defensoria Pública, que representa Karen, informou que, como de praxe, não se manifesta publicamente acerca de processos criminais em andamento.
Circunstâncias da morte
Sophia foi levada pelo avô para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17). O pediatra de plantão constatou que a criança já chegou morta ao local e acionou imediatamente a polícia.
José e Karen foram presos em flagrante na quarta-feira (18) e, no mesmo dia, passaram por audiência de custódia, onde a prisão preventiva foi decretada. A Polícia Civil avalia se eles responderão por tortura e homicídio ou por tortura que teve como resultado a morte, conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos.
O corpo de Sophia será encaminhado para Itapetininga, onde deve ser velado e enterrado, encerrando um capítulo trágico que chocou a região de Ribeirão Preto e Franca.