Criança de 9 anos fica sozinha diariamente em Campinas e é resgatada após acidente doméstico
Um caso de abandono de incapaz está sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar em Campinas, no interior de São Paulo. Um menino de apenas 9 anos, que ficava sozinho enquanto o pai e a madrasta trabalhavam, foi resgatado pela Polícia Militar depois de se machucar e pedir ajuda.
Resgate policial e situação de isolamento
De acordo com informações da PM, a criança estava trancada no apartamento da família sem acesso a nenhuma chave. O incidente ocorreu quando o menino se cortou com um copo e, desesperado, pediu socorro através do telefone da portaria do prédio. Ao chegarem ao local, os policiais precisaram acionar um chaveiro para conseguir abrir a porta e resgatar a vítima.
Em depoimento, o menino admitiu que ficava sozinho diariamente, sem poder sair ou assistir televisão. O policial Pedro Oliveira relatou a rotina solitária da criança: "Costuma ficar vários dias sozinho, no período das 11h até 19h, que é o período que os pais trabalham. Falou que fica picotando papel e colocando num plástico e brincando com os brinquedos dele que fica no baú".
Encaminhamento para a avó e investigação do Conselho Tutelar
O pai do menino, um pintor de 32 anos, compareceu à delegacia acompanhado da esposa, prestou depoimento e foi liberado. Diante da gravidade da situação, o Conselho Tutelar tomou medidas imediatas para proteger a criança.
A instituição encaminhou o menino para a avó paterna e deve continuar monitorando o caso de perto. O conselheiro Adecir Mendes detalhou os próximos passos: "Que seja feito um atendimento, uma avaliação e, caso seja identificada uma negligência, será aplicada a medida de acordo com o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente]. Encaminhar o atendimento da assistência em contra turno escolar, identificar quais serão as medidas que garantam que essa criança não volte a ser negligenciada novamente".
Além disso, o órgão deve notificar o Ministério Público sobre o ocorrido, ampliando a esfera de fiscalização e responsabilização.
Justificativa dos pais e alerta das autoridades
Segundo a Polícia Militar, o pai alegou que não atendeu as ligações do filho porque seu celular estava quebrado. Ele afirmou que, assim que soube da situação, a madrasta pediu que um parente fosse até o local para auxiliar a criança.
No entanto, as autoridades reforçam a responsabilidade parental independentemente das circunstâncias profissionais. O policial militar enfatizou: "Por mais que os pais tenham emprego, trabalhem em cidades distintas a qual a criança residente, é responsabilidade dos pais o cuidado da criança. Teria que ter um responsável, nem que fosse um cuidador, uma babá, ou parentes que estejam dispostos a cuidar da criança. Sozinha jamais".
O caso segue sob investigação, com foco na garantia dos direitos da criança e na prevenção de futuras negligências.