Adolescente sofre ameaças após imagem ser usada fora de contexto em caso de morte de cão
Menina sofre ameaças após imagem usada fora de contexto em caso

Adolescente sofre ameaças após imagem ser usada fora de contexto em caso de morte de cão comunitário

Uma adolescente de 16 anos tem sido alvo de ameaças na internet após sua imagem aparecer em um vídeo divulgado pela Polícia Civil de Santa Catarina ao lado do jovem investigado pela morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. A defesa da menina afirma que a gravação foi utilizada de maneira inadequada e fora de contexto durante a apresentação dos resultados da investigação, o que gerou uma onda de acusações infundadas contra a jovem.

Imagem divulgada de forma ilustrativa causa repercussão negativa

O vídeo em questão mostra a adolescente caminhando com o menor investigado às 5h25 da manhã, no dia em que o ataque ao animal teria ocorrido. No entanto, a polícia reconheceu posteriormente que as imagens foram registradas aproximadamente uma hora após o momento estimado da agressão e que foram utilizadas com caráter meramente ilustrativo. Apesar disso, a exposição gerou uma série de interpretações equivocadas nas redes sociais.

Segundo o advogado da família, Alessandro Marcelo de Sousa, a jovem tem sido injustamente acusada de ter presenciado o ato brutal contra o cão, o que não corresponde à realidade. "Eles estão dizendo que ela tem 19 anos e, na verdade, ela tem somente 16", destacou o defensor, reforçando que a adolescente não estava presente no local no momento exato da violência.

Depoimento da jovem traz novos elementos à investigação

Em seu relato às autoridades, a adolescente afirmou que encontrou o rapaz investigado na praia e que ele não estava sozinho na ocasião. "Ele estava com três meninos", declarou, acrescentando que, durante o período em que caminhou pela orla, não avistou nenhum cachorro. Essas informações indicam que o jovem estava acompanhado no início e no final do intervalo de tempo no qual a polícia acredita que a agressão ao animal tenha acontecido.

A Polícia Civil, por sua vez, emitiu uma nota esclarecendo que a investigação não se baseia em registros isolados, mas na análise do conjunto probatório reunido ao longo do inquérito. A corporação também informou que há testemunhos indicando que o adolescente permaneceu sozinho em determinados períodos, o que mantém o foco nas apurações.

Caso do cão Orelha continua em apuração

A morte do cachorro Orelha, ocorrida no dia 4 de janeiro, causou grande comoção entre os moradores da Praia Brava. O animal, conhecido como mascote da região, foi encontrado gravemente ferido no dia seguinte, levado a um veterinário e veio a óbito pouco depois. Um laudo indireto, baseado no atendimento veterinário, apontou que a causa da morte foi um golpe na cabeça por objeto contundente.

Até o momento, não há imagens ou testemunhas do momento exato da agressão. O relatório da investigação já foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina, que anunciou a solicitação de diligências complementares para aprofundar as apurações. Moradores da área manifestaram preocupação com a situação e esperam por esclarecimentos concretos. "Queremos saber exatamente o que aconteceu. Não é justo que pessoas sejam acusadas sem prova", afirmou um residente local.

O caso segue em aberto, com a defesa da adolescente reforçando a necessidade de responsabilidade na divulgação de informações para evitar danos irreparáveis à imagem e à segurança da jovem, que enfrenta as consequências de uma exposição midiática descontextualizada.