Investigado por fotos íntimas no WhatsApp confessou crime pelo ChatGPT
Suspeito de divulgar fotos íntimas confessou ao ChatGPT

Pedro Guilherme Becker Soares, de 23 anos, investigado por divulgar fotos íntimas de mulheres em um grupo de WhatsApp, armazenava ao menos 1,1 mil arquivos íntimos de vítimas em seu celular. A informação consta no inquérito da Polícia Civil que embasou a denúncia do Ministério Público contra ele e outros dois amigos.

Arquivos organizados em pastas

Os mais de mil arquivos íntimos estavam distribuídos em 10 pastas identificadas com os nomes das vítimas, conforme aponta o inquérito da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). A investigação também revelou que Pedro confessou os crimes em interações com o ChatGPT.

Além de Pedro, foram denunciados à Justiça Matheus Terra Fabri e Felipe Gaio de Matos, ambos de 24 anos. Eles respondem pelos crimes de divulgação de cena de nudez e fraude processual, por tentarem destruir provas.

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Pastas com nomes de vítimas

Segundo a Deam, as pastas encontradas no celular de Pedro continham os nomes de pelo menos sete mulheres. O inquérito teve início após a denúncia de uma advogada. Conforme a investigação, o suspeito recebia as fotos com visualização única e utilizava um segundo celular para gravar a tela e salvar os arquivos, que depois eram compartilhados com amigos.

A delegada da Deam, Carolina Huppes, identificou um padrão de comportamento repetido. Em uma das pastas, nomeada como "nova pasta (3)", a polícia encontrou 429 arquivos íntimos. "Esta prática não foi um evento isolado, mas uma conduta reiterada e sistemática, conforme evidenciado pela descoberta de diversas pastas individualizadas com nomes de outras mulheres inclusive em seu dispositivo, contendo centenas de registros de mesma natureza", afirmou a delegada.

Comportamento 'predatório' e 'ardiloso'

A delegada classificou a forma como Pedro agia como um padrão de comportamento “predatório” e “ardiloso”, voltado a violar a privacidade das vítimas. "O modus operandi desvelado revela um padrão de comportamento predatório, que será pormenorizado a seguir, demonstrando como o abuso da confiança e o uso de artifícios técnicos foram empregados para a perpetração dos crimes", escreveu no inquérito.

Destruição de provas

Em junho de 2025, Pedro, Matheus, Felipe e outros dois amigos foram alvo de uma operação da Polícia Civil. Na ocasião, a polícia informou que os cinco integravam um grupo de WhatsApp usado para compartilhar fotos íntimas. No entanto, o inquérito concluiu que Pedro e Matheus coordenaram uma ação para destruir provas, o que impediu a identificação concreta do grupo. "A investigação apontou que a prova material da existência do grupo e das interações entre seus membros foi severamente comprometida pela ação dolosa dos investigados principais (Pedro e Matheus)".

Em uma conversa gravada pela advogada, também vítima do caso, Pedro inicialmente negou as acusações e tentou responsabilizar o melhor amigo, que não é investigado. Depois, admitiu ter compartilhado as imagens no grupo, mas alegou que era “confiável”. Ainda segundo a denúncia, Pedro afirmou que o grupo existia “há muito tempo” e que “nunca vazou” nenhum conteúdo íntimo.

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