Mulher etíope resgatada de trabalho escravo após fugir em SC
Resgatada de trabalho escravo após fugir em SC

Uma mulher etíope de 34 anos foi resgatada de condições análogas à escravidão após fugir de um condomínio fechado em Florianópolis, Santa Catarina. De acordo com a auditora-fiscal do Trabalho Maria Neuzeli Arantes de Oliveira, a vítima veio ao Brasil por intermédio de uma agência de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com a promessa de salário e jornada de trabalho regulares. Ao chegar ao país, porém, passou a sofrer violências físicas e verbais, além de isolamento social. Seus documentos foram retidos pelos patrões, enfrentou barreiras linguísticas e ficava à disposição do casal Fabricio Saltini e Nour Salem 24 horas por dia.

Investigação em andamento

A Polícia Federal informou que investiga o caso e mantém contato com auditores do Ministério do Trabalho. Em nota, a empresa dos Emirados Árabes citada afirmou que oferece serviços de contratação de empregadas domésticas apenas para famílias residentes em Dubai, Abu Dhabi e outros Emirados, não facilitando contratações internacionais para o Brasil ou outros países.

Detalhes da fuga

A vítima fugiu da residência na noite de 8 de maio, levando apenas as roupas do corpo e um celular, sem acesso ao passaporte – seu único documento de identificação no país. Após horas perambulando pelas ruas, conseguiu pedir ajuda utilizando ferramentas de tradução no celular. Segundo a auditora, a mulher não tinha noção dos direitos que possuía no Brasil e havia barreira linguística, pois fala amárico e um pouco de inglês. Ela veio por intermédio de uma agência de fornecimento de trabalhadores em Dubai, saindo da Etiópia, passando por Dubai e chegando ao Brasil.

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A única coisa que a trabalhadora queria era ter o passaporte de volta, que estava retido desde a vinda de Dubai. A auditora explicou que a mulher começou a trabalhar para os empregadores em 20 de dezembro, ainda em Dubai, onde o casal – um brasileiro e uma árabe – também possui casa. Eles deram entrada no passaporte em janeiro e, no final de fevereiro, ela veio com eles para o Brasil. Os patrões consideram que o trabalho começou apenas em 13 de março, numa tentativa de descaracterizar o tráfico de pessoas, e não estão pagando todo o valor devido.

Indícios de outras vítimas

A auditora-fiscal acredita que a agência responsável pode ter feito outras vítimas. Os trabalhadores vêm ao Brasil como turistas e ficam invisíveis, escravizados pelo tempo que os empregadores desejarem. Há indícios de que a agência promove a entrada de diversos estrangeiros em situação irregular de imigração, e não parece que esta trabalhadora seja a única.

Acordo firmado

O Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou, na quinta-feira (21), um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o casal. O acordo reconhece o vínculo empregatício no período de 13 de março a 8 de maio de 2026 e visa adequar as relações às leis trabalhistas, sem impedir que o casal responda criminalmente. O termo prevê:

  • registro formal do contrato;
  • recolhimento dos encargos sociais;
  • cumprimento das normas relativas à jornada, descanso, pagamento de salários, férias, FGTS e demais direitos trabalhistas.

As verbas previstas incluem:

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  • R$ 10 mil de indenização por dano moral individual à trabalhadora;
  • R$ 5 mil para custeio integral do retorno ao local de origem, cobrindo passagem aérea, transporte, alimentação, hospedagem e demais custos;
  • R$ 500 adicionais para despesas da viagem.