Defesa alega excesso de prisão preventiva
A defesa de Matheus Henrique Poly Garcia, de 37 anos, solicitou à Justiça a revogação da prisão preventiva do caminhoneiro, denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por atropelar e matar a estudante Joyce Muraoka, de 19 anos, em Jacupiranga (SP). O acidente ocorreu em 5 de maio, na rodovia SP-193, que liga o município a Eldorado. Segundo a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), um funcionário de Matheus afirmou que o veículo trafegava a aproximadamente 130 km/h e perdeu o controle ao se aproximar de um radar com limite de 40 km/h.
Após o acidente, Matheus e o funcionário fugiram. O caminhoneiro foi contido por testemunhas, mas mentiu à polícia dizendo ser passageiro e acabou liberado. Ele foi detido novamente em Piedade (SP) após a Justiça decretar sua prisão. A defesa, conduzida pela advogada Amanda Faga da Silva, argumenta que a medida foi decretada por conta da repercussão social e midiática do caso, e que a liberdade do cliente não representa risco à ordem pública.
Argumentos da defesa
“A prisão preventiva não pode assumir caráter de antecipação de pena em razão da repercussão midiática ou da comoção pública, sobretudo em momento processual inicial, em que ainda se aguarda a devida formação da culpa sob o crivo do contraditório”, disse Amanda. A advogada destacou que Matheus é réu primário e possui residência fixa no município. Ela também ressaltou que o indiciado permaneceu no local do acidente e se submeteu à coleta de sangue após ser detido.
Por isso, a defesa solicitou a substituição da prisão por medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, suspensão da CNH, proibição de deixar o município e recolhimento domiciliar noturno. O pedido foi encaminhado à Justiça, que deve proferir a decisão após ouvir o Ministério Público (MP). O g1 pediu um posicionamento ao MP, mas não obteve retorno.
Acidente e investigação
De acordo com a denúncia do MP-SP, o acidente ocorreu no retorno de uma viagem de entrega de carga em Eldorado (SP). Testemunhas revelaram que Matheus fez uso de bebidas alcoólicas e cocaína antes do acidente. A denúncia afirma que, durante o trajeto, ele fez uma ultrapassagem forçada e, ao se aproximar de um radar, freou bruscamente. Nesse momento, a porta do caminhão se abriu e, ao tentar fechá-la, ele perdeu o controle do veículo.
A promotoria atribui a Matheus os crimes de homicídio qualificado pela morte de Joyce, tentativa de homicídio qualificado contra um homem de 45 anos que sobreviveu, e embriaguez ao volante. O MP pede que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri. O pedido foi recebido pela 1ª Vara de Jacupiranga, tornando Matheus réu no processo.
Mentira e fuga
O atropelamento ocorreu por volta das 18h30 na Rodovia José Edgard Carneiro (SP-193). As vítimas foram socorridas em Eldorado, mas Joyce não resistiu. Após a colisão, o caminhão caiu em uma ribanceira e o motorista fugiu para uma área de mata, sendo detido por testemunhas. Na delegacia, Matheus tentou se passar por passageiro e alegou que outro homem dirigia o caminhão.
No dia seguinte, policiais civis localizaram o ajudante apontado como motorista. O jovem disse aos agentes que fugiu do local a pedido do patrão e desmentiu a versão de Garcia, afirmando que era passageiro. Ele apresentou um vídeo que mostrava o caminhoneiro ao volante, embriagado, momentos antes do acidente. Em seguida, foi liberado.



