Quatro policiais civis foram presos temporariamente nesta terça-feira (12) sob acusação de extorsão contra um homem que, segundo o Ministério Público, participou do sequestro de Marina da Silva Souza, mãe do ex-jogador Robinho, em 2004. A operação, denominada Quina, foi realizada pela Corregedoria Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo com apoio do MP.
Detalhes da extorsão
De acordo com a investigação, os agentes da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Carapicuíba, na Grande São Paulo, exigiram R$ 1 milhão de Fabio Oliveira Silva para não forjar um flagrante de tráfico de drogas e prendê-lo. Fabio é apontado como integrante do grupo responsável pelo sequestro da mãe de Robinho.
Os policiais presos são Roberto Castelano, conhecido como “Bateria”, Tiago Henrique de Souza Carvalho, o “Japa”, e Diogo Prieto Junior, lotados na DISE de Carapicuíba, além de João Ruper Rodrigues, do 1º Distrito Policial de Taboão da Serra. As prisões têm prazo de 30 dias. A defesa dos agentes não foi localizada para comentar o caso.
Como ocorreu a extorsão
Segundo a denúncia do MP, o crime aconteceu em 2 de abril, quando os policiais foram até a capital paulista para cumprir um mandado de prisão contra o ex-genro de Fabio. Após a prisão, os agentes começaram a pressionar Fabio para que indicasse locais com drogas. Mesmo sem ser citado no boletim de ocorrência, ele foi levado à sede da DISE de Carapicuíba. Durante o trajeto, os policiais exigiram R$ 1 milhão para não incriminá-lo por tráfico.
Para pagar parte da quantia, Fabio acionou o primo, que conseguiu reunir R$ 303 mil em espécie. O dinheiro foi entregue aos policiais em uma padaria em Barueri e, posteriormente, na sede da especializada. Em troca, Fabio foi liberado e assumiu o compromisso de pagar o restante em parcelas. As vítimas negociaram e adiaram os pagamentos até procurarem a Corregedoria da Polícia Civil em 22 de abril para denunciar o caso.
Sequestro da mãe de Robinho
Marina da Silva Souza foi sequestrada em 6 de novembro de 2004, enquanto participava de um churrasco em uma casa na periferia de Praia Grande. Ela ficou mais de um mês em poder dos criminosos e foi libertada em 12 de dezembro daquele ano, em Perus, na Zona Norte de São Paulo, após o pagamento de resgate. Na época, Marina telefonou para familiares e para a Polícia Militar após ser libertada. Ela estava desidratada e com os cabelos muito curtos, mas sem ferimentos graves.
Ações da Corregedoria
A operação Quina cumpriu mandados de prisão temporária e busca e apreensão nas casas dos policiais e nas delegacias onde atuavam. Foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e outros objetos que passarão por perícia e análise técnica. A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 2 milhões em bens dos policiais envolvidos.
Em nota, a Corregedoria reafirmou “seu compromisso permanente com a legalidade, a ética, a transparência institucional e o combate rigoroso a quaisquer desvios de conduta funcional”.



