A Justiça de Uberlândia decidiu que os irmãos Diego Pereira Almeida e Jonatan Michael Pereira serão submetidos a júri popular pelo assassinato do corretor de imóveis Mailson Queiroz de Souza, morto a tiros em outubro de 2025. Na mesma decisão, o juiz revogou a prisão preventiva, e eles passam a responder ao processo em liberdade. A decisão foi assinada na sexta-feira (8) pelo juiz Dimas Borges de Paula, da 3ª Vara Criminal de Uberlândia.
Entendimento do juiz
O magistrado entendeu que há indícios de autoria e materialidade para levar os réus a julgamento, mas retirou as qualificadoras de motivo torpe e de recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a decisão, há elementos de que o corretor teria contratado terceiros para matar o personal trainer antes do crime. Com a retirada das qualificadoras, os acusados passam a responder por homicídio simples. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pode recorrer da decisão.
Diferença entre homicídio simples e qualificado
O homicídio simples está previsto no artigo 121 do Código Penal e prevê pena de 6 a 20 anos de reclusão para quem matar alguém. Já o homicídio qualificado, previsto no §2º do mesmo dispositivo, possui pena mais grave, de 12 a 30 anos, quando o crime é cometido por motivo torpe ou mediante recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima.
Contexto do crime
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em 20 de outubro de 2025, no bairro Morumbi. Mailson foi baleado dentro do carro. A acusação aponta que Diego teria encomendado o crime após desavenças envolvendo um relacionamento extraconjugal com a esposa da vítima. O Ministério Público também aponta que Diego teria planejado o crime e pedido ajuda ao irmão Jonatan, que teria contribuído para a execução com apoio de um terceiro homem. Após o ataque, os envolvidos fugiram.
O juiz entendeu que as provas reunidas indicam uma situação diferente da descrita inicialmente na denúncia. "A denúncia faz menção a 'intuito de vingança', mas não demonstra nem mesmo que o homicídio teria sido um ato de vingança, mas, sim, que seria decorrente de 'desavenças', 'eis que', quando soube do relacionamento extraconjugal de sua esposa com o acusado Diego, 'Mailson passou a ameaçar Diego', que, então, teria sido 'movido por animosidade decorrente do contexto passional'. Se Mailson tivesse matado Diego, poder-se-ia dizer que Mailson teria praticado uma 'vingança', mas Diego não teria o que vingar contra Mailson", comentou Dimas.
O magistrado citou depoimentos e mensagens que indicam que Mailson teria pago cerca de R$ 3,5 mil a pessoas para matar Diego e adquirido uma arma de fogo. Diante disso, considerou que: não ficou caracterizado motivo torpe, já que o contexto ultrapassaria uma simples vingança ou desavença; também não houve comprovação de emboscada ou recurso que impossibilitasse a defesa da vítima, já que, pela própria denúncia, o ataque ocorreu de forma direta, em via pública.
Liberdade dos réus
Na decisão, o magistrado afirmou que a prisão não é mais necessária para garantir a ordem pública nem para assegurar o andamento do processo. Por isso, determinou a expedição de alvarás de soltura. O advogado de defesa dos irmãos, Adriano Parreira, informou ao g1 que o alvará de soltura de Diego já foi expedido e deve ser cumprido ainda nesta terça-feira (12). Já Jonatan vai permanecer no Presídio Professor Jacy de Assis em razão de cumprimento de pena de crime anterior.
Terceiro envolvido não localizado
Um terceiro envolvido, apontado como o autor dos disparos e identificado como Bruno César Gomes, segue foragido. Segundo a decisão de pronúncia, ele não foi localizado, não constituiu defesa e não se manifestou no processo, que está suspenso em relação a ele. O réu é representado pela Defensoria Pública de Minas Gerais, que não comenta sobre casos criminais.
Prisão dos irmãos
Os irmãos Diego e Jonatan foram presos menos de 24 horas após o crime, em uma operação conjunta da PM e da Polícia Civil, e continuam detidos no Presídio Professor Jacy de Assis. "As equipes iniciaram as diligências no intuito de localizá-los e conseguiram fazer o rastreio completo do percurso que esses autores fizeram, desde o cometimento do crime até o de fuga. Descobriram também que a moto que eles utilizaram era produto de crime, que ela foi abandonada. Foi feito um trabalho intenso, tentando recuperar imagens e, com elas, foi possível identificar esses cidadãos", disse o tenente da PM, Carlos Daura, na data das prisões.
Bruno segue foragido. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), ele tem passagens pelo sistema desde 2013. O último registro de admissão foi no Presídio Professor Jacy de Assis, entre abril e julho deste ano, quando foi desligado da unidade mediante alvará de soltura concedido pela Justiça.



