Julgamento de PMs acusados de matar guarda municipal por engano em Piracicaba marcado para setembro
Julgamento de PMs por morte de guarda municipal marcado para setembro

Julgamento de PMs acusados de matar guarda municipal por engano em Piracicaba marcado para setembro

A Justiça de Piracicaba, no interior de São Paulo, marcou para o dia 2 de setembro deste ano o julgamento dos policiais militares João Paulo Polizel e Luiz Henrique Ferreira de Sousa. Os dois são acusados de matar por engano um guarda civil municipal durante operações para capturar um suspeito de furto, em 22 de janeiro de 2025. A data do júri popular foi divulgada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no último dia 17, com a sessão programada para iniciar às 9h da manhã.

Defesa confia na inocência dos policiais militares

Em nota oficial, a defesa dos réus, representada pelos advogados Alexandre Guerreiro e Washington Bezerra, afirmou que "confia no povo de Piracicaba e acredita que será reconhecida a inocência dos dois policiais militares". O Ministério Público do Estado de São Paulo, responsável pela acusação, solicitou à Justiça que disponibilize equipamento audiovisual, incluindo projetor, tela e caixas de som, para eventual exibição aos jurados de slides com documentos, fotografias e vídeos relacionados ao caso.

Detalhes do incidente fatal

No dia do ocorrido, um furto foi registrado em uma residência na região central da cidade, próximo ao Teatro Municipal Dr. Losso Netto, conforme informações da Polícia Militar da época. Dois suspeitos do crime, que estavam dentro da casa, fugiram após a chegada da PM, e um deles entrou em uma clínica de oftalmologia localizada na Avenida Independência. Os policiais adentraram o estabelecimento, avistaram um homem armado no teto e efetuaram disparos contra ele.

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Entretanto, a pessoa baleada era Antônio Marcio Costa Oliveira, de 45 anos, que atuava como guarda municipal em Iracemápolis e estava trabalhando como segurança da clínica naquele dia. Ele foi confundido com um dos suspeitos do furto, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. Antônio foi levado para a Santa Casa de Piracicaba, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Os dois policiais militares envolvidos na ação foram presos no dia seguinte, mas liberados após audiência de custódia.

Versões contraditórias e evidências em vídeo

Em seus depoimentos judiciais, os réus afirmaram que, ao entrarem na clínica em perseguição ao suspeito, viram um homem armado no telhado e, por isso, atiraram. Sousa declarou que o guarda estava se movimentando e representava risco, além de não ter obedecido a uma ordem para largar a arma. Polizel argumentou que qualquer movimento com arma configura uma ameaça iminente.

Por outro lado, a delegada Juliana Ricci, da Divisão Especializada em Investigações Criminais, informou à Justiça que as imagens de câmeras de segurança mostram que a vítima estava de costas para os policiais e não demonstrou nenhuma reação agressiva. O investigador de polícia João Henrique Grandi Dutra corroborou essa versão, confirmando que as gravações exibem a vítima de costas, com a arma abaixada, sem qualquer reação hostil.

Testemunhas e avisos não atendidos

Uma funcionária da clínica prestou depoimento afirmando que avisou três policiais militares que entraram no local sobre a presença do segurança nos fundos do estabelecimento. Contudo, os militares que participaram das buscas declararam à Justiça que não receberam esse aviso. Ao todo, 11 testemunhas foram ouvidas ao longo do processo judicial, destacando as divergências nas narrativas sobre os eventos que levaram à morte trágica do guarda municipal.

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