CNJ afasta desembargador de Minas Gerais suspeito de abuso sexual após polêmica absolvição
CNJ afasta desembargador suspeito de abuso sexual em MG

Conselho Nacional de Justiça determina afastamento de desembargador mineiro suspeito de abuso sexual

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tomou uma medida drástica ao afastar cautelarmente o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), suspeito de prática de abuso sexual. A decisão ocorreu nesta semana, com apoio da Polícia Federal, que esteve presente na sede do tribunal em Belo Horizonte para garantir a execução do afastamento do magistrado.

Investigação ganha força após polêmica absolvição em caso de estupro

A conduta do desembargador está sob investigação da Corregedoria Nacional do CNJ e da Justiça de Minas Gerais. O caso começou a ganhar notoriedade quando Magid Láuar, juntamente com o desembargador Walner Azevedo, votou pela absolvição de um homem condenado por estupro de vulnerável. O réu, então com 35 anos, mantinha relacionamento com uma menina de apenas 12 anos em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

Em janeiro, tanto o acusado quanto a mãe da vítima haviam sido condenados em primeira instância. No entanto, neste mês, os desembargadores julgaram o recurso e decidiram pela absolvição dos dois, gerando forte reação pública e levando o CNJ a iniciar uma investigação aprofundada. Curiosamente, nesta mesma semana, Magid Láuar voltou atrás em sua decisão e condenou novamente o homem e a mãe da menina.

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Denúncias de abuso sexual emergem durante apuração

No decorrer das investigações, surgiram graves denúncias de abuso sexual contra o desembargador. O CNJ já ouviu cinco possíveis vítimas, incluindo um relato especialmente impactante de Saulo Láuar, primo de segundo grau do magistrado e analista do Ministério Público de Minas Gerais.

Saulo relatou ter sido vítima de constrangimentos e abuso por parte de Magid Láuar quando tinha apenas 14 anos, após ser chamado para ir até a casa do desembargador em Ouro Preto. "Essa motivação foi essa correspondência da dor que eu vivi", declarou Saulo Láuar. "Houve a tentativa do ato em si e eu consegui sair, depois disso ele me ligou, pediu desculpas e não tocamos mais no assunto."

CNJ justifica medida como necessária para preservar credibilidade

O Conselho Nacional de Justiça afirmou que a maioria dos casos prescreveu por serem antigos – remontando ao período em que Magid Láuar atuou como juiz nas cidades de Ouro Preto e Betim. No entanto, relatos mais recentes também surgiram, aumentando a complexidade da investigação.

Em comunicado oficial, o CNJ declarou que o afastamento cautelar foi determinado para manter a integridade das investigações. A Corregedoria Nacional de Justiça destacou que a medida é proporcional à gravidade dos relatos e reforçou que os procedimentos disciplinares não configuram juízo prévio de culpa, mas buscam preservar a credibilidade da magistratura brasileira.

TJMG se posiciona e desembargador se recusa a comentar

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que será convocado um magistrado de primeiro grau para substituir Magid Láuar na relatoria dos processos e na atuação na 9ª Câmara Criminal do TJ. O tribunal se comprometeu a contribuir com a apuração dos fatos envolvendo o desembargador.

Por sua vez, o desembargador Magid Láuar optou por não se manifestar sobre as denúncias que pesam contra ele, mantendo silêncio enquanto as investigações seguem seu curso. A situação continua sendo acompanhada de perto pelas autoridades judiciárias, que buscam esclarecer todos os aspectos deste caso que abala a confiança no sistema de justiça mineiro.

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