Protestos após morte de moradora em operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo
Protestos após morte de moradora em operação no Salgueiro

Protestos após morte de moradora em operação policial no Complexo do Salgueiro

Parentes e amigos de Andressa Nogueira do Nascimento, de 35 anos, realizaram um protesto nesta segunda-feira (30) nas margens da BR-101, na altura de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu após a morte da moradora, que foi atingida por um tiro durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro. O enterro dela havia acontecido no sábado (28).

Dor e revolta da família

Andressa morava na Comunidade das Palmeiras e deixa cinco filhos. Durante o protesto, sua irmã, Ana Paula, fez questionamentos emocionados: "Quem matou a minha irmã? Qual foi a bala que matou a minha irmã? De quem foi a ordem? Até quando vão matar mãe, favelada, periférica? Estão matando minoria, a gente é minoria dentro de uma comunidade".

A moradora estava tentando encontrar o filho, que brincava na rua, no momento da operação. Testemunhas afirmam que os policiais atiraram sem critério e "a esmo". Já a Polícia Militar (PM) diz que a ação tinha como objetivo remover barricadas e que pediu apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para acessar parte do Complexo.

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Versões conflitantes sobre a dinâmica da operação

A PRF, por sua vez, declarou que "até o momento, toda dinâmica indica que a moradora foi atingida por disparo realizado da mata pelos bandidos quando as equipes da PRF faziam o resgate de policiais militares presos no local". Andressa foi baleada na tarde de sexta-feira (27), na Estrada das Palmeiras, durante um confronto entre policiais e criminosos. Um tiro atravessou seu peito.

O cunhado da vítima, Adriano Silva, relatou que Andressa foi atingida ao tentar proteger crianças: "Não sabiam o que tava fazendo. A menina foi buscar duas crianças que tava na rua e pelas costas recebe um tiro". Ele também acusou policiais de efetuarem disparos sem critério, afirmando que atiraram de dentro do caveirão.

Enterro marcado por emoção e críticas

A despedida aconteceu no Cemitério Parque da Paz. Durante o velório, familiares lembraram da rotina da vítima e de sua luta para sustentar a casa. O filho mais velho, Carlos Victor Nogueira da Silva, disse: "Ela trabalhava, fazia os biscates dela, fazia faxina, fazia comida, fazia tudo, mas ela não deixou faltar um pão dentro de casa".

Carlos também relatou o momento em que a mãe foi atingida: "Ela morreu na frente do meu irmão. Meu irmão olhou pra ela e não pode fazer nada (...) quando eu fui lá, ela tava no chão como se fosse nada". Ele criticou a classificação do caso como fatalidade: "Fatalidade é entrar em uma comunidade atirando a esmo? Essa é uma fatalidade? O que a gente vai falar pros filhos dela?".

Operação e investigação em andamento

De acordo com a Polícia Militar, a operação foi iniciada após uma denúncia sobre um suspeito ferido na região. A corporação informou que os agentes foram recebidos a tiros e revidaram, resultando em três policiais militares feridos por estilhaços, sem gravidade. Uma viatura da PRF também foi atingida.

A PM afirma que o disparo que matou Andressa partiu de criminosos. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), que tenta identificar a origem do tiro. A PRF reiterou que sua equipe não efetuou disparos durante o apoio à operação.

Protestos e cobranças por mudanças

Após o episódio, moradores realizaram protestos na região durante a noite. Um ônibus foi atravessado na via e houve confronto com a polícia, que utilizou armamento de efeito moral. Objetos foram incendiados e vias do Salgueiro foram fechadas.

Adriano Silva expressou a indignação da comunidade: "O estado não entra na comunidade pra colocar estudo. Não temos quadra no Salgueiro, não temos esporte, lazer, saneamento básico. A gente não tem nada". Ele acrescentou: "Não somos vagabundos, somos trabalhadores indignados com a Justiça que tá aí e não faz nada pela população".

O viúvo da vítima, Carlos Eduardo da Silva, pediu justiça: "Ela sempre falava que me amava, nunca ia me deixar. Quero justiça". A PM informou que o policiamento foi reforçado na área após o incidente.

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