Namorado de jovem assassinada em Santana dá depoimento emocionado em ato por Justiça
Uma semana após o brutal assassinato da jovem Ana Paula Viana Rodrigues, de apenas 19 anos, a comunidade de Santana se reuniu na Praça Cívica Francisco Nobre, nesta segunda-feira (16), em um comovente ato público por Justiça. Vestidos com as cores rosa e preto, familiares, amigos e vizinhos transformaram o espaço em um cenário de luto e homenagem, reforçando o apelo coletivo para que o caso não caia no esquecimento e que medidas efetivas sejam tomadas.
O apelo por mudanças e memória
Durante o ato, que contou com cartazes, flores e palavras de saudade, familiares e amigos compartilharam lembranças vívidas da jovem. Entre os presentes, Marcos Castro, namorado de Ana Paula, emocionou os participantes ao falar sobre quem ela era e como espera que sua memória seja preservada.
"O meu pedido é que algo seja feito de verdade. Ela não foi a primeira e, infelizmente, pode não ser a última até que haja mudança concreta. Espero que ela não seja reduzida a apenas mais um número, mais uma estatística trágica em um crime horrível. Quero justiça por ela e por todas as mulheres que sofrem com a violência", declarou Marcos, com voz firme mas emocionada.
Lembranças de uma vida cheia de sonhos
Ana Paula, que sonhava em seguir carreira na biologia e conciliava os estudos na Unifap com o trabalho em uma loja de roupas da cidade, era descrita por todos como uma pessoa especial. "A Ana sempre foi uma pessoa extraordinária, alguém que conseguia enxergar beleza em tudo e em todos. Para mim, ela era como um raio de sol aqui na Terra. Seu sorriso era lindo, gentil e transbordava amor. Ela vai continuar sendo um símbolo de força, felicidade e gentileza para todos que a conheceram", disse o namorado, visivelmente abalado.
Marcos ainda expressou seu desejo de como gostaria que a memória da jovem fosse perpetuada: "Quero que todos lembrem dela como a garota maravilhosa que sempre foi: sorridente, apaixonada pela cor rosa, delicada, uma verdadeira princesa, minha princesa. Que ela seja lembrada como um símbolo eterno de amor, gentileza e tudo que há de bom no ser humano", concluiu, enquanto segurava uma bandeira rosa durante a manifestação.
Detalhes do caso que chocou Santana
Ana Paula foi encontrada morta no dia 9 de março dentro do depósito do estabelecimento comercial onde trabalhava, apresentando claros sinais de estrangulamento. O principal suspeito, identificado como Cláudio Pacheco, conhecido pelo apelido de "Coringa", foi preso poucas horas após o crime.
Segundo investigações policiais, o homem teria trocado o celular da vítima em uma boca de fumo por seis pedras de crack. O caso está sendo tratado pelas autoridades como latrocínio, caracterizado como roubo seguido de morte, e continua sob apuração detalhada. A jovem foi enterrada no dia 10 de março, no Cemitério Municipal de Santana, em uma cerimônia que reuniu centenas de pessoas.
Manifestação como símbolo de resistência
A manifestação na Praça Cívica Francisco Nobre mobilizou uma parte significativa da população de Santana, que carregava cartazes com frases como "Justiça por Ana Paula" e "Chega de violência contra as mulheres". O ato serviu não apenas como um espaço de luto coletivo, mas também como um protesto contra a impunidade e um chamado por políticas públicas mais eficazes de proteção à vida feminina.
Os organizadores do evento enfatizaram a importância de manter viva a memória de Ana Paula e de transformar a dor em ação, pressionando por investigações rigorosas e por mudanças sociais que previnam futuras tragédias. A comunidade demonstrou união e solidariedade, mostrando que casos como este afetam profundamente toda a sociedade e exigem respostas concretas do poder público.



