Motoristas por aplicativo no Piauí vivem clima de medo constante após série de crimes violentos
Profissionais que trabalham com aplicativos de transporte no Piauí estão enfrentando uma situação alarmante de insegurança, com relatos frequentes de assaltos, agressões e até uma morte registrada recentemente no estado. Os casos ocorreram tanto na capital Teresina quanto em cidades do interior, levando a categoria a exigir medidas urgentes de proteção por parte das plataformas digitais e das autoridades públicas.
Pedido histórico por Botão do Pânico ganha urgência
A principal reivindicação dos motoristas é a implantação imediata do Botão do Pânico, uma ferramenta tecnológica que permitiria acionar a polícia rapidamente em situações de risco durante as corridas. Segundo Pedro Higino, motorista que representa a categoria, essa demanda é antiga e precisa ser atendida com urgência pelo governo estadual e pela Secretaria de Segurança Pública.
"Estamos pressionando para que o governo e a Secretaria de Segurança atendam esse pedido histórico, em conjunto com o sindicato, para implementar o Botão do Pânico. Dessa forma, em casos de emergência, o motorista ou entregador poderia acionar o sistema e receber ajuda imediata da viatura policial mais próxima", explicou Higino.
Liderança sindical também foi vítima da violência
Maria do Carmo, presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativo, revelou que os casos de violência contra a categoria são frequentes e que ela própria já foi vítima em duas ocasiões durante o trabalho, ambas durante o dia. "Sofri dois assaltos, os dois em plena luz do dia. Trabalhei muitos anos no turno da madrugada e, por incrível que pareça, um ocorreu às seis e meia da manhã e o outro por volta do meio-dia", relatou.
Casos recentes ilustram gravidade da situação
Entre os episódios mais recentes que assustaram a categoria:
- Um motorista que preferiu não se identificar viveu momentos de terror há pouco mais de uma semana após aceitar uma corrida aparentemente normal na Zona Sul de Teresina. Segundo seu relato, ao perceber comportamentos suspeitos entre os passageiros, foi forçado ao porta-malas do veículo, mas conseguiu escapar pulando do carro em movimento, sofrendo apenas ferimentos leves.
- No dia 10 de fevereiro, na Zona Norte de Teresina, um motorista por aplicativo foi feito refém durante um assalto e precisou ser resgatado pela polícia em uma operação que resultou em troca de tiros, com um suspeito de 19 anos morto e outro gravemente ferido.
- Em 26 de março, outro profissional foi sequestrado durante assalto no bairro Ininga, na Zona Leste da capital, sendo resgatado pela polícia que apreendeu três adolescentes suspeitos de envolvimento no crime.
Relatos traumáticos marcam profissionais
A motorista Inês Barbário compartilhou uma das experiências mais traumáticas vividas durante o trabalho, quando ela e o filho foram roubados e mantidos sob ameaça dentro do veículo por várias horas. "Passei três horas com ele dentro do carro. Eles disseram que não iam fazer nada conosco, que só queriam o veículo para realizar algumas paradas e 'resolver contas' com desafetos", contou emocionada.
Violência se espalha para além da capital
O problema não se restringe a Teresina. Em Altos, cidade do interior piauiense, o motorista Francisco Alan Marques, de apenas 27 anos, foi assassinado a tiros ao sair para atender uma corrida com destino à capital. O caso está sob investigação da Polícia Civil do Piauí.
O episódio mais recente ocorreu na noite do último domingo (12), no bairro São Pedro, na Zona Sul de Teresina. Um homem de 50 anos foi baleado no ombro ao tentar defender o irmão, que estava sendo agredido por um motorista de aplicativo. Segundo informações da Polícia Militar, o suspeito primeiro agrediu uma das vítimas e, em seguida, efetuou disparos contra a outra. Este caso também está sendo investigado pela Polícia Civil.
Categoria exige respostas concretas
Diante dessa onda de violência, os motoristas por aplicativo no Piauí estão unidos na cobrança por medidas efetivas de proteção. Além do Botão do Pânico, pedem maior fiscalização das plataformas digitais sobre a segurança dos profissionais e ações mais incisivas do poder público para coibir os crimes contra a categoria.
A situação tem gerado um clima de medo constante entre os profissionais, que muitas vezes precisam escolher entre a necessidade de trabalhar e o risco de se tornarem vítimas da violência urbana. A pressão por soluções imediatas só aumenta à medida que novos casos continuam surgindo em diferentes regiões do estado.



