Carnaval de São Paulo: Megablocos concentram quase 20% dos roubos e furtos de celulares
O Carnaval de Rua de São Paulo 2026 foi oficialmente aberto neste sábado, 07 de fevereiro, com o bloco Quem Pede Pede arrastando foliões ao som de Ivete Sangalo no Circuito do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista. A festa, que reúne fantasias, música alta e multidões nas ruas, marca o início de uma temporada que deve levar milhões às ruas, mas também traz à tona preocupações com a segurança dos foliões.
Dados alarmantes sobre criminalidade durante a folia
Um levantamento exclusivo realizado com base em boletins de ocorrência da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revela que quase 20% dos roubos e furtos de celulares registrados durante o Carnaval de 2025 em São Paulo aconteceram especificamente nos circuitos dos megablocos. Dos 6.067 ocorrências contabilizadas ao longo dos oito dias de festa na cidade, impressionantes 1.145 casos foram registrados apenas nesses trajetos de grande concentração popular.
A prefeitura estima que o Carnaval do ano passado tenha atraído aproximadamente 16 milhões de pessoas às ruas da capital, distribuídas por mais de 600 blocos oficialmente cadastrados em todas as regiões da cidade. Esse cenário de aglomeração massiva contribui diretamente para a concentração dos crimes em áreas de grande fluxo de foliões.
Vias e bairros com maior incidência de crimes
As vias que lideraram o ranking de roubos e furtos de celulares durante o Carnaval 2025 foram:
- Avenida Pedro Álvares Cabral: 329 ocorrências
- Rua da Consolação: 241 ocorrências
- Avenida Marquês de São Vicente: 198 ocorrências
- Rua Augusta: 158 ocorrências
- Praça da República: 73 ocorrências
Esses trechos fazem parte de circuitos tradicionais de megablocos como o Pipoca da Rainha, de Daniela Mercury, e o Acadêmicos do Baixo Augusta. Curiosamente, a Avenida Paulista, que costuma liderar rankings de criminalidade, ficou na oitava posição neste levantamento, embora permaneça próxima a trajetos importantes de blocos.
Entre os bairros, República e Consolação lideraram o ranking com 529 e 519 ocorrências respectivamente. Os dez bairros com maior número de roubos e furtos de celulares durante o Carnaval somaram 2.735 registros, representando 45% do total. As áreas mais críticas estão concentradas no Centro (República, Consolação, Bela Vista e Santa Cecília), na Zona Oeste (Pinheiros, Barra Funda, Jardim Paulista e Várzea da Barra Funda) e na Zona Sul (Moema e Vila Mariana).
Fatores que contribuem para a criminalidade
Para Alan Fernandes, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e doutor em administração pública e governo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os números estão dentro do esperado considerando a quantidade de foliões e a densidade de público nos megablocos.
"Você tem muitas pessoas expostas às práticas do crime, sobretudo em um contexto de diversão. Os foliões ficam menos atentos ao entorno, estão aglomerados, e esse cenário favorece os furtos de celulares. Então, consumo de álcool, distração, o próprio evento, favorece que elas sejam vítimas desse crime", explica Fernandes.
Rafael Alcadipani, professor da FGV e também membro do FBSP, complementa que a combinação entre distração, consumo de álcool e características urbanas dos blocos cria um ambiente propício para a ação criminosa.
"O que afeta é a densidade de pessoas, a organização das vias, muitas delas são muito estreitas, a falta de policiamento efetivo, a falta de inteligência na forma de abordar e de lidar com esses criminosos, acabam gerando, sim, a possibilidade e facilitando para que o criminoso possa realizar o roubo", destaca Alcadipani.
Medidas de segurança e posicionamento oficial
Segundo os especialistas ouvidos, o reforço do policiamento, ações de inteligência, uso de câmeras de monitoramento e campanhas educativas são medidas fundamentais para reduzir os índices de roubos e furtos durante o Carnaval.
A Secretaria de Segurança Pública, em nota oficial, informou que "as regiões citadas são monitoradas de forma permanente, com reforço do policiamento preventivo e ostensivo no Carnaval". A pasta destacou ainda que, durante o pré-carnaval do ano passado, houve uma redução de 60% de crimes desta natureza, enquanto no Carnaval propriamente dito os roubos de aparelhos tiveram queda de 36% e os furtos 24%.
Para este ano, a Polícia Militar atuará diariamente com cerca de 5,2 mil policiais e 2,5 mil viaturas em toda a capital, além do apoio de drones e câmeras do Programa Muralha Paulista, que permitem monitoramento em tempo real a partir do Copom.
A prefeitura de São Paulo também anunciou que vai ampliar saídas e colocar agentes dentro dos trios elétricos no Carnaval após casos de superlotação em megablocos registrados em edições anteriores.



