Mãe de menina de 9 anos morta por suspeita de envenenamento relata desespero e laço profundo com a filha
Em um depoimento emocionante, Nábia Rosa Pimenta, mãe de Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, falou sobre o intenso vínculo que compartilhava com a filha, que faleceu com suspeita de envenenamento após um jantar em família. A tragédia ocorreu em Alto Horizonte, na região norte de Goiás, na noite de sexta-feira (27), e deixou a comunidade em choque.
Laço materno e cuidados extremos
Em entrevista à TV Anhanguera, Nábia descreveu a relação com a filha como uma paixão mútua, destacando que eram inseparáveis. “Nós éramos uma paixão tão grande uma com a outra que era 24 horas na cola. Eu era muito cuidadosa com ela”, afirmou a mãe, visivelmente abalada. Weslenny morreu após passar mal ao consumir arroz, feijão e carne moída junto com a mãe, o irmão de 8 anos e o padrasto.
A menina foi levada ao hospital municipal da cidade, mas não resistiu, conforme informou o delegado Sandro Leal, responsável pelo caso. Além de Weslenny, seu irmão também apresentou sintomas graves e foi encaminhado ao Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, onde permanece internado.
Sequência trágica após o jantar
Segundo Nábia, a refeição foi preparada pelo companheiro e servida na área da casa. “Eu coloquei a comida nos pratos das crianças e nós sentamos os quatro na mesa para comer”, relatou. Após o jantar, ao orientar os filhos a irem dormir, a mãe percebeu que Weslenny estava gelada e reclamando de dores abdominais.
“Ela estava chorando e disse que a barriga está doendo. Ela falou: ‘Mãe, eu não estou aguentando, me leva pro hospital’. Eu vi que não estava normal”, contou Nábia. A criança começou a apresentar vômitos e crises convulsivas ainda em casa. No hospital, Weslenny teve uma melhora inicial, mas sofreu uma rápida piora e faleceu após uma parada cardiorrespiratória.
Desespero materno e suspeita de envenenamento
Nábia ressaltou que, no momento da crise, seu único pensamento foi socorrer a filha. “Eu assustei porque quando a pessoa tem essa baba geralmente lembra veneno, mas não me dei conta de que poderia ser isso, porque eu estava tão nervosa que só consegui acudir ela”, explicou. Ela ainda destacou que não teve tempo de processar a perda, pois precisou correr para hospitalizar o outro filho.
O perito Marcelo de Castro Coelho Morais apontou que a suspeita de envenenamento surgiu pela rapidez e gravidade do quadro clínico, que não se assemelha a uma infecção alimentar comum. “Foi um mal muito súbito, com parada cardíaca”, afirmou. A hipótese foi reforçada pelo fato de duas crianças apresentarem sintomas semelhantes após a mesma refeição.
Animais mortos e investigação em andamento
Durante a apuração, a polícia encontrou animais mortos próximos à residência da família, incluindo pelo menos três gatos. De acordo com o delegado Sandro Leal, os animais podem ter tido contato com a mesma substância suspeita. “Suspeita-se de chumbinho, mas ainda não sabemos qual substância foi utilizada nem como ela foi parar na comida”, declarou.
Os animais foram encaminhados ao IML Veterinário em Goiânia, e a Polícia Civil recolheu restos de alimentos consumidos pela família, incluindo itens da geladeira, mesa e lixo. A refeição considerada mais suspeita é a última ingerida, devido à proximidade com o início dos sintomas. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias dessa tragédia familiar.



