Mãe busca respostas há 15 anos por filha grávida desaparecida em Goiânia
Mãe busca filha grávida desaparecida há 15 anos em Goiânia

Mãe sofre há 15 anos com desaparecimento de filha grávida em Goiânia

Desde 3 de julho de 2009, Edlamar Rosária da Silva Oliveira, de 60 anos, moradora de Nova Glória, no centro de Goiás, não tem um dia de paz. Sua filha primogênita, Mayra da Silva Paula, então com 20 anos e grávida, desapareceu em Goiânia enquanto estudava enfermagem. A última pessoa a vê-la foi uma vizinha, proprietária do apartamento onde Mayra morava na capital. Até hoje, o paradeiro da jovem permanece um mistério não solucionado pelas autoridades policiais.

"Eu preciso de uma solução, preciso achá-la viva ou morta, do jeito que for. Tem que ter um término. Eles têm que retomar a investigação para saber o que que aconteceu com ela e onde ela está. Esse é o meu desejo. Para eu viver, sabe? Porque eu não vivo não. Dia e noite é assim...", desabafou Edlamar, em entrevista ao g1. A angústia da professora aposentada aumentou com o arquivamento das investigações pela Polícia Civil de Goiás e pela Polícia Federal, devido à falta de provas.

Investigações marcadas por lacunas e trocas de delegados

Breyder Ferreira da Silva, advogado da família, explicou que o caso foi arquivado na Justiça Federal porque o Ministério Público considerou não haver mais o que fazer. A família tentou transferir o processo para a esfera estadual, mas a procuradoria negou. "Acontece que, quando o processo estava na Justiça Estadual, ficaram algumas lacunas, algumas coisas sem investigação", afirmou Breyder.

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Edlamar atribui essas falhas a uma sucessão de trocas de delegados responsáveis pelo caso. Inicialmente registrado em Ceres, o desaparecimento foi transferido para Goiânia, onde ficou sob a responsabilidade do delegado Jorge Moreira da Silva, da Delegacia de Homicídios. Ele foi uma das oito vítimas de um acidente de helicóptero da Polícia Civil em maio de 2012, a 35 quilômetros de Piranhas, no sudoeste de Goiás.

"Ele fez todas as buscas, investigou todas as possíveis causas do desaparecimento. Na época, houve muitos boatos. 'Ah, ela foi vista em tal lugar'. Infelizmente, ficou sem resposta e sem notícias por muito tempo", relembrou o advogado. O caso também integrou a operação da Força Nacional em Goiás em 2011, que assumiu homicídios sem solução no estado, mas sem resultados.

Detalhes do desaparecimento e carta misteriosa

Mayra deveria ter viajado para Nova Glória na sexta-feira em que sumiu, como fazia todo final de semestre para passar férias com a família. "Levantei de manhã, fiquei esperando e nada de ela chegar. O dia todo, nada. Aí, eu fiquei doida. Ligava para todo mundo. Ninguém sabia dela", contou Edlamar.

Na véspera, a jovem foi vista pela proprietária do apartamento, Kênia, que relatou ter visto o carro de Tiago Luis Tavares de Sousa, então soldado da Polícia Militar de Goiás, parado em frente ao prédio no Setor Vila Maria José. Edlamar descreveu o relacionamento dos dois como "idas e vindas" e afirmou que Tiago sabia da gravidez, algo que ele confirmou posteriormente.

Uma carta deixada por Mayra, datada de 3 de junho de 2009 – um mês antes do desaparecimento –, revelou que ela estava grávida de seis meses. "Não tive coragem de enfrentar a senhora e, por isso, resolvi que não tinha saída", escreveu. A carta, encontrada sob o telefone fixo, tinha tom de despedida, mas não especificava qual "saída" Mayra teria tomado. Tiago, em depoimento à polícia, disse ter tido acesso à carta, mas não lembrava do conteúdo.

Contradições e envolvimento policial

Edlamar relatou que, em Nova Glória, Tiago inicialmente negou qualquer envolvimento com Mayra, afirmando ter uma namorada em Goiânia há três anos. Após ser pressionado, ele foi à casa da professora com a mãe e pediu perdão, admitindo a gravidez. "Ele falou: 'me perdoa, dona Edlamar. Eu errei mesmo. Ela estava grávida de mim mesmo. Só que ela falou que só viria se fosse comigo. E eu falei que não poderia vir com ela agora porque eu iria contar primeiro para a minha família", narrou Edlamar.

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Em depoimento à Delegacia de Homicídios em 25 de agosto de 2009, Tiago confirmou ter estado com Mayra no dia do desaparecimento, mas disse acreditar que ela estava escondida esperando o parto, não vítima de crime. A Polícia Militar de Goiás informou que realizou procedimentos legais na época, mas os registros foram arquivados por falta de elementos probatórios.

Busca internacional e apelo por informações

O nome de Mayra foi incluído na Difusão Amarela da Interpol, alerta internacional para desaparecidos, válido até 13 de maio de 2031, devido à suspeita de que ela possa ter deixado o Brasil. A Polícia Federal encaminhou a documentação, mas o caso permanece arquivado. A Procuradoria da República em Goiás e o Tribunal de Justiça de Goiás não se pronunciaram sobre o arquivamento.

Edlamar continua sua luta por respostas, destacando as inconsistências nas investigações. Qualquer pessoa com informações sobre o paradeiro de Mayra pode entrar em contato com a Polícia Civil pelo número 197. A busca por justiça e clareza persiste, enquanto uma mãe aguarda por um desfecho há 15 anos.