Noca da Portela morre aos 93 anos no Rio de Janeiro; sambista deixa legado
Noca da Portela morre aos 93 anos no Rio de Janeiro

O sambista Noca da Portela, nome artístico de Oswaldo Alves Pereira, faleceu neste domingo, 17 de maio de 2026, no Rio de Janeiro, aos 93 anos. A causa da morte foi pneumonia e complicações decorrentes de uma internação hospitalar para tratar uma infecção urinária. Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, em 12 de dezembro de 1932, o artista vivia no Rio desde os cinco anos e deixa uma obra com cerca de 500 sambas.

Trajetória e sucessos

Em 1981, durante o período de abertura política no Brasil, Noca compôs com Gilson Pereira (Gilper) o samba engajado "Virada", que se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira na voz de Beth Carvalho. A música foi um hino pela redemocratização do país. Outros sucessos incluem "É preciso muito amor" (1979), parceria com Tião de Miracema, regravada por Zeca Pagodinho e Dudu Nobre, e "Caciqueando" (1983), também imortalizada por Beth Carvalho.

Ligação com a Portela

Noca adotou o sobrenome artístico em homenagem à Portela, escola de samba que frequentava desde 1966, quando foi levado por Paulinho da Viola. Na agremiação azul e branca, venceu sete vezes a disputa de samba-enredo, com destaque para os Carnavais de 1985 ("Recordar é viver"), 1995 ("Gosto que me enrosco") e 1998 ("Os olhos da noite"). O samba "Portela querida" (1967), parceria com Colombo e Picolino, tornou-se um hino informal da escola.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Parcerias e discografia

Noca foi gravado por grandes nomes do samba, como Alcione, que registrou "Vendaval da vida" (1982), parceria com Delcio Carvalho, e Paulinho da Viola, intérprete de "Peregrino" (1996). Também fez parceria com Martinho da Vila em "Nem a lua" (1978) e "Vidas negras importam" (2021). Como cantor, lançou álbuns solo como "Mãos dadas" (1980), "Samba verdadeiro" (1998) e o derradeiro "Homenagens" (2016).

Legado

Além de compor para blocos cariocas como Simpatia é quase amor, Noca também teve ligação com a escola Paraíso do Tuiuti. Sua obra é marcada pelo engajamento político e social, defendendo a democracia e a justiça social por meio do samba. Sua morte enluta o universo do samba, mas seu legado musical permanece vivo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar